quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma

Terça-Feira, 28 de setembro de 2010

A mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma

Leonardo Boff *

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui
punido com o "silêncio obsequioso" pelas autoridades do Vaticano. Sob
risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar
corajosamente o "Brasil Nunca Mais", onde se denunciavam as torturas,
usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do
regime autoritário.

Esta história de vida me avalisa fazer as críticas que ora faço ao
atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que
reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um
enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da
liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa
que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra
acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa
guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a
mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando
veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se
comportam como "famiglia" mafiosa. São donos privados que pretendem
falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião
pública. São os donos de O Estado de São Paulo, de A Folha de São
Paulo, de O Globo, da revista Veja, na qual se instalou a razão cínica
e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a
serviço de um bloco histórico assentado sobre o capital que sempre
explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem desse povo.
Mais que informar e fornecer material para a discusão pública, pois
essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como
um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus
donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido a
mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele veem apenas um
peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago
elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente
da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente.
Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados,
os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo
de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande
jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues
(Conciliação e Reforma), "a maioria dominante, conservadora ou
liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não
contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu
nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele
fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes, nem admirou seus serviços
ao país, chamou-o de tudo -Jeca Tatu-; negou seus direitos; arrasou
sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua
aprovação; conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que
contiua achando que lhe pertence (p.16)".

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra
contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre
submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e
que faz uma trajetória ascedente como Lula. Trata-se, como se
depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo.
Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente
de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não
se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos
sociais organizados, de onde vem Lula, e tantas outras lideranças. Não
há mais lugar para coroneis e para "fazedores de cabeça" do povo.
Quando Lula afirmou que "a opinião pública somos nós", frase tão
distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo
organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de
ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem
que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e
disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu
votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no
Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O
Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas
que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se
fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe
média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média.
Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para
a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito innovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e
distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento
que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e
com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes,
gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda
pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de
consciência e de práticas ecológicas. Mas, importa reconhecer que Lula
foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção
dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo
de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a
mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania
popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de
ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma
democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta
abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos
interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a
mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos
sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente
pela VEJA, que faz questão de não ver; protagonista de mudanças
sociais não somente com referência à terra, mas também ao modelo
econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e
Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto,
neocoloncial, neoglobalizado e, no fundo, retrógrado e velhista; ou o
Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à
margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil
que ainda nunca tínhamos visto antes?

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata
Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem
força. Irão triunfar a despeito das más vontades deste setor
endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará
solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por
tantas gerações de brasileiros.

[Teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa
Internacional da Carta da Terra].

Fonte: www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=51181 ou http://www.viomundo.com.br/politica/leonardo-boff-os-abusos-da-midia-contra-lula-e-dilma.html

Eleitor só precisa de um documento oficial com foto, decide STF

Deu na Folha Online



O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quinta-feira, por 8 votos a 2, que o eleitor só precisa levar um documento oficial com foto na hora da votação. A maioria dos ministros acatou ação do PT contrária à obrigatoriedade de dois documentos.

A preocupação do partido era com um grande número de abstenção na hora da votação, levando-se em conta que muitas pessoas não encontram o título eleitoral no dia das eleições.

A relatora do caso, ministra Ellen Gracie, encontrou uma solução para não declarar a norma inconstitucional, mas permitir que o eleitor vote apenas com um documento com foto, como identidade, carteira de motorista ou passaporte, por exemplo.

Ela firmou que os dois documentos são obrigatórios, mas o eleitor só pode ser proibido de votar se não tiver consigo um documento com foto.

Para o presidente do STF, Cezar Peluso, a decisão é uma verdadeira "abolição do título eleitoral".

"O título não é lembrete de local de votação", afirmou o ministro. Ele também disse que a exigência dos documentos "aprimora a consciência cívica".

O julgamento sobre a necessidade de portar dois documentos na hora da votação foi interrompido na sessão de ontem por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, mas retomado nesta quinta-feira.

Em seu voto, Mendes votou contra a mudança, ou seja, pela obrigatoriedade de levar os dois documentos.

Foi seguido apenas por Peluso.

O Supremo julgou ação direita de inconstitucionalidade proposta pelo PT contra legislação que obriga a apresentação de dois documentos --o título de eleitor e outro com foto-- na hora de votar.

Já a ministra Ellen Gracie foi seguida pelos colegas Marco Aurélio Mello, José Antonio Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa, Carlos Ayres Britto e Celso de Mello.

A avaliação é que o documento com foto já é suficiente para comprovar a veracidade daquele que irá proferir seu voto, já que no local de votação e na própria urna já estão presentes as informações o eleitor.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Segundo turno vai irmanar São Paulo ao Brasil

Segundo turno vai irmanar São Paulo ao Brasil
Por Brizola Neto
Enquanto a mídia se dedica a fabricar a esperança de um segundo turno, no mundo real é a verdade que consolida a possibilidade de uma vitória popular de tal maneira acachapante que, no dia 4 de outubro, todas as esperanças deste país estejam com os olhos postos em São Paulo, para assistir a queda da “Casa-Grande” tucana instalada no Palácios dos Bandeirantes. O povo, o povão trabalhador e honrado de São Paulo, ruge surdo como um vulcão que está prestes a romper a crosta elitista que sufoca a vocação brasileira de São Paulo.


Nosso orgulho, nossa metrópole, caldeirão de raças e línguas que se fundou pelo desejo de milhões de imigrantes, vindos de toda parte do Brasil, de toda parte do mundo. Mais do que tangidos pela pobreza, atraídos pelo invencível desejo humano de alcançar uma vida digna, a grande São Paulo prepara-se para romper o muro de preconceito que há décadas suas poderosas oligarquias constroem para separá-la do Brasil.

O esforço final que cada um de nós, em todos os rincões deste país, faz pela vitória de Dilma no primeiro turno significa também a nossa contribuição a essa São Paulo que desejamos como líder, como exemplo, para todo Brasil. Vejam que maravilha, durante um mês no segundo turno das eleições estaduais, o povo de São Paulo estará ouvindo todo povo brasileiro dizer-lhe: venham, venham, venham nos ajudar com a grande São Paulo a fazer um Brasil enorme.

É isso que as elites não compreendem. Não conseguem entender que não haverá futuro para o Brasil se esse futuro não for para todos os brasileiros. Não conseguem, porque são mesquinhos e limitados. Não sabem que é impossível ser feliz atrás de grades, de cercas, construindo prisões aos milhares, porque a cada muro, a cada grade, a cada cela, somos todos que ficamos prisioneiros.

Toma em tuas mãos, povo paulista, toma em tuas mãos trabalhadoras a rédea de teu futuro e venha com o Brasil dos seus pais, dos seus avós, dos seus ancestrais, fazer o país dos seus filhos.

Crianças estrangeiras sofrem preconceito em escolas e Marina pede que eleitor escolha entre Silva e Rousseff

Por Dalva Teodorescu

Ontem os jornais de televisão exibiam fala de Marina pedindo o segundo turno para o eleitor decidir "entre a Silva e a Rousseff.

O nome de Marina remete à sua origem genuinamente brasileira, já o de Dilma à sua origem do leste europeu.

Não sei o que Marina tinha em mente quando fez essa infeliz afirmação, mas vendo o que se passa hoje na Europa é inquietante.

A discriminação, ver mesmo perseguição, contra os estrangeiros no velho continente levanta a lembrança da subida das massas fascistas, que viram no estrangeiro o bode expiatório contra seus males de sociedade.

Purificação nominal antes da purificação étnica? Claro que Marina não está nessa linha, mas como nas últimas semanas seu inconsciente tem se revelado imprudente, como quando pediu voto par o n° 45, fiquei preocupada.

Mais preocupante foi o noticiário que, por coincidência ou não, entrou logo em seguida à fala de Marina. Crianças bolivianas e asiáticas estão sendo duramente discriminadas nas escolas paulistas.

Segundo a reportagem as crianças estrangeiras são obrigadas a pagar às crianças brasileiras para não apanharem. Depoimentos dessas crianças e de seus pais mostravam que as crianças brasileiras não se misturam com as estrangeiras para brincar, ficando as últimas isoaladas entre elas.

Fiquei horrorizada. O fato é tanto mais grave por se tratar de crianças obrigadas a conviver com a diferença, mesmo quando não são discriminadas.

O Brasil é conhecido por sua rica mistura de povos. País acolhedor, em todos os setores da sociedade encontra-se nomes de todas as origens. É essa nossa grande riqueza.

As autoridades paulistas, mas também o Ministério da Educação, devem com rapidez tomar medidas drásticas contra esses abusos discriminatórios e iniciar imediatamente uma campanha educacional com rigor para acabar com esses absurdos nas escolas.

E a Marina Silva que cuide mais de seu linguajar quando se dirige à uma nação como a nossa formada pela miscigenação de povos, cores e nomes.

Pergunta de Boechat a Marina Silva

Por Dalva Teodorescu

Hoje, Ricardo Boechat em seu Jornal da Band News FM, conversando com Mônica Bergamo sobre a improvável ida de Marina para o segundo turno, lançou uma questão à candidata do partido Verde.

Falou Boechat: “Eu só queria perguntar uma coisa para a Marina, caso o Serra vá para o segundo turno: Está contente agora Marina?”

Pois, é até o Boechat.

E ainda tem gente que não percebeu que votando em Marina estão votando no Serra?

Pesquisa CNI/Ibope indica vitória de Dilma no 1° turno

De Folha Online

Pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quarta-feira indica a vitória da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, no primeiro turno.

Considerando apenas os votos válidos (exclui brancos, nulos e indecisos), a petista tem 55% dos votos válidos, contra 30% de José Serra (PSDB) e 14% de Marina Silva (PV). O vencedor precisa de 50% mais um voto para ser eleito.

Os outros candidatos --José Maria Eymael (PSDC), Ivan Pinheiro (PCB), Levy Fidelix (PRTB), Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) e Rui Costa Pimenta (PCO)-- não atingem 1%.

Considerando todos os votos, Dilma tem 50%, Serra, 27% e Marina, 13%. Os candidatos nanicos não atingem 1%. Brancos e nulos somam 4% e indecisos, 4%.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Foram ouvidas 3.010 pessoas em 191 municípios entre os dias 25 e 27 de setembro. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número 33.162/2010.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Charge caseira

Gente, nossos recursos são modestos, ok.



Erundina, mulher de fibra

Por Mulheres de Fibra

Caros leitores, as mulheres de fibra manifestam apoio e voto em Erundina.
Grande guerreira, já foi tão injustiçada e nem por isso desisitiu de nos representar.
Obrigada, Erundina, nos espelhamos na tua força e coragem.

Em tempo: postamos abaixo o discurso que essa mulher de fibra fez a semana passada no Sindicato dos Jornalistas no ato contra a imprensa golpista, que pegamos lá do Blog do Edu Guimarães.


Ato público contra o golpe midiático 5 from Raphael Tsavkko on Vimeo.

A carta aberta de Juristas em defesa de Lula

Do Viomundo

Em uma democracia, todo poder emana do povo, que o exerce diretamente ou pela mediação de seus representantes eleitos por um processo eleitoral justo e representativo. Em uma democracia, a manifestação do pensamento é livre. Em uma democracia as decisões populares são preservadas por instituições republicanas e isentas como o Judiciário, o Ministério Público, a imprensa livre, os movimentos populares, as organizações da sociedade civil, os sindicatos, dentre outras.


Estes valores democráticos, consagrados na Constituição da República de 1988, foram preservados e consolidados pelo atual governo.

Governo que jamais transigiu com o autoritarismo. Governo que não se deixou seduzir pela popularidade a ponto de macular as instituições democráticas. Governo cujo Presidente deixa seu cargo com 80% de aprovação popular sem tentar alterar casuisticamente a Constituição para buscar um novo mandato. Governo que sempre escolheu para Chefe do Ministério Público Federal o primeiro de uma lista tríplice elaborada pela categoria e não alguém de seu convívio ou conveniência. Governo que estruturou a polícia federal, a Defensoria Pública, que apoiou a criação do Conselho Nacional de Justiça e a ampliação da democratização das instituições judiciais.

Nos últimos anos, com vigor, a liberdade de manifestação de idéias fluiu no País. Não houve um ato sequer do governo que limitasse a expressão do pensamento em sua plenitude.

Não se pode cunhar de autoritário um governo por fazer criticas a setores da imprensa ou a seus adversários, já que a própria crítica é direito de qualquer cidadão, inclusive do Presidente da República.

Estamos às vésperas das eleições para Presidente da República, dentre outros cargos. Eleições que concretizam os preceitos da democracia, sendo salutar que o processo eleitoral conte com a participação de todos.

Mas é lamentável que se queira negar ao Presidente da República o direito de, como cidadão, opinar, apoiar, manifestar-se sobre as próximas eleições. O direito de expressão é sagrado para todos imprensa, oposição, e qualquer cidadão. O Presidente da República, como qualquer cidadão, possui o direito de participar do processo político-eleitoral e, igualmente como qualquer cidadão, encontra-se submetido à jurisdição eleitoral. Não se vêem atentados à Constituição, tampouco às instituições, que exercem com liberdade a plenitude de suas atribuições.

Como disse Goffredo em sua célebre Carta: Ao povo é que compete tomar a decisão política fundamental, que irá determinar os lineamentos da paisagem jurídica que se deseja viver. Deixemos, pois, o povo tomar a decisão dentro de um processo eleitoral legítimo, dentro de um civilizado embate de idéias, sem desqualificações açodadas e superficiais, e com a participação de todos os brasileiros.

ADRIANO PILATTI - Professor da PUC-Rio
AIRTON SEELAENDER – Professor da UFSC
ALESSANDRO OCTAVIANI - Professor da USP
ALEXANDRE DA MAIA – Professor da UFPE
ALYSSON LEANDRO MASCARO – Professor da USP
ARTUR STAMFORD - Professor da UFPE
CELSO ANTONIO BANDEIRA DE MELLO – Professor Emérito da PUC-SP
CEZAR BRITTO – Advogado e ex-Presidente do Conselho Federal da OAB
CELSO SANCHEZ VILARDI – Advogado
CLÁUDIO PEREIRA DE SOUZA NETO – Advogado, Conselheiro Federal da OAB e Professor da UFF
DALMO DE ABREU DALLARI – Professor Emérito da USP
DAVI DE PAIVA COSTA TANGERINO – Professor da UFRJ
DIOGO R. COUTINHO – Professor da USP
ENZO BELLO – Professor da UFF
FÁBIO LEITE - Professor da PUC-Rio
FELIPE SANTA CRUZ – Advogado e Presidente da CAARJ
FERNANDO FACURY SCAFF – Professor da UFPA e da USP
FLÁVIO CROCCE CAETANO - Professor da PUC-SP
FRANCISCO GUIMARAENS – Professor da PUC-Rio
GILBERTO BERCOVICI – Professor Titular da USP
GISELE CITTADINO – Professora da PUC-Rio
GUSTAVO FERREIRA SANTOS – Professor da UFPE e da Universidade Católica de Pernambuco
GUSTAVO JUST – Professor da UFPE
HENRIQUE MAUES - Advogado e ex-Presidente do IAB
HOMERO JUNGER MAFRA – Advogado e Presidente da OAB-ES
IGOR TAMASAUSKAS - Advogado
JARBAS VASCONCELOS – Advogado e Presidente da OAB-PA
JAYME BENVENUTO - Professor e Diretor do Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Católica de Pernambuco
JOÃO MAURÍCIO ADEODATO – Professor Titular da UFPE
JOÃO PAULO ALLAIN TEIXEIRA - Professor da UFPE e da Universidade Católica de Pernambuco
JOSÉ DIOGO BASTOS NETO – Advogado e ex-Presidente da Associação dos Advogados de São Paulo
JOSÉ FRANCISCO SIQUEIRA NETO - Professor Titular do Mackenzie
LENIO LUIZ STRECK - Professor Titular da UNISINOS
LUCIANA GRASSANO – Professora e Diretora da Faculdade de Direito da UFPE
LUÍS FERNANDO MASSONETTO - Professor da USP
LUÍS GUILHERME VIEIRA – Advogado
LUIZ ARMANDO BADIN – Advogado, Doutor pela USP e ex-Secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça
LUIZ EDSON FACHIN - Professor Titular da UFPR
MARCELLO OLIVEIRA – Professor da PUC-Rio
MARCELO CATTONI – Professor da UFMG
MARCELO LABANCA – Professor da Universidade Católica de Pernambuco
MÁRCIA NINA BERNARDES – Professora da PUC-Rio
MARCIO THOMAZ BASTOS – Advogado
MARCIO VASCONCELLOS DINIZ – Professor e Vice-Diretor da Faculdade de Direito da UFC
MARCOS CHIAPARINI - Advogado
MARIO DE ANDRADE MACIEIRA – Advogado e Presidente da OAB-MA
MÁRIO G. SCHAPIRO - Mestre e Doutor pela USP e Professor Universitário
MARTONIO MONT’ALVERNE BARRETO LIMA - Procurador-Geral do Município de Fortaleza e Professor da UNIFOR
MILTON JORDÃO – Advogado e Conselheiro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária
NEWTON DE MENEZES ALBUQUERQUE - Professor da UFC e da UNIFOR
PAULO DE MENEZES ALBUQUERQUE – Professor da UFC e da UNIFOR
PIERPAOLO CRUZ BOTTINI - Professor da USP
RAYMUNDO JULIANO FEITOSA – Professor da UFPE
REGINA COELI SOARES - Professora da PUC-Rio
RICARDO MARCELO FONSECA – Professor e Diretor da Faculdade de Direito da UFPR
RICARDO PEREIRA LIRA – Professor Emérito da UERJ
ROBERTO CALDAS - Advogado
ROGÉRIO FAVRETO – ex-Secretário da Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça
RONALDO CRAMER – Professor da PUC-Rio
SERGIO RENAULT – Advogado e ex-Secretário da Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça
SÉRGIO SALOMÃO SHECAIRA - Professor Titular da USP
THULA RAFAELLA PIRES - Professora da PUC-Rio
WADIH NEMER DAMOUS FILHO – Advogado e Presidente da OAB-RJ
WALBER MOURA AGRA – Professor da Universidade Católica de Pernambuco

Uma questão de honestidade

Uma questão de honestidade





O jornalista Ricardo Noblat postou, à noite, em seu blog, este vídeo que registraria a palestra do ex-deputado José Dirceu no Sindicato dos Petroleiros da Bahia.

É onde ele teria dito que que há “excesso de liberdade” de imprensa no Brasil.
Só que a gravação publicada por Noblat mostra que ele não disse isso.
Goste-se ou não de Dirceu, não é correto distorcer suas palavras. E as manchetes registradas no vídeo foram publicadas, como pode ser checado na internet.
Se Noblat postou o vídeo, deve saber que ele é verdadeiro.
Como sabe que são falsas as manchetes que imputaram a Dirceu o que ele não disse.
Não há uma linha de informação, nem um comentário. Nada.
Se houve, como parece, uma manipulação e se a obrigação jornalística é mostrar a verdade, falta esta manifestação.
Se o vídeo não é verdadeiro ou se sobre isso há duvidas, isso precisaria ser dito. Se o vídeo, ao contrário, é verdadeiro, então o noticiário é falso, e isso, ainda mais, precisaria ser dito.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Desmascarando os e-mails falsos que estão circulando pela Internet

por Stanley Burburinho

Para facilitar a divulgação nesta última semana de campanha, fiz uma compilação dos emails falsos que circulam nesta campanha sobre Dilma Rousseff e seus respectivos desmentidos. Cada link remete ao leitor ao texto em questão. Espalhem, é importante:

A morte de Mário Kosel Filho:
http://www.sejaditaverdade.net/blog2/?p=593


A Ficha Falsa de Dilma Rousseff na ditadura:
http://www.sejaditaverdade.net/blog2/?p=650

O porteiro que desistiu de trabalhar para receber o Bolsa-Família:
http://www.sejaditaverdade.net/blog2/?p=729

Marília Gabriela desmente email falso:
http://www.sejaditaverdade.net/blog2/?p=1453

Dilma não pode entrar nos Estados Unidos:
http://www.sejaditaverdade.net/blog2/?p=1497

Foto de Dilma ao lado de um fuzíl é uma montagem barata:
http://www.sejaditaverdade.net/blog2/?p=1666

Lula/Dilma sucatearam a classe média (B) em 8 anos:
http://www.sejaditaverdade.net/blog2/?p=1848

Email de Dora Kramer sobre Arnaldo Jabor é montagem:
http://www.sejaditaverdade.net/blog2/?p=1871

Matéria sobre Dilma em jornais canadenses é falsa:
http://www.sejaditaverdade.net/blog2/?p=2023

Declarações de Dilma sobre Jesus Cristo – mais um email falso:
http://www.sejaditaverdade.net/blog2/?p=2010

Fraude nas urnas com chip chinês – falsidade que beira o ridículo:
http://www.sejaditaverdade.net/blog2/?p=2054

Vídeo de Hugo Chaves pedindo votos a Dilma é falso:
http://www.sejaditaverdade.net/blog2/?p=2037

Matéria sobre amante lésbica de Dilma é invenção:
http://www.sejaditaverdade.net/blog2/?p=2031

Marido da Marina Silva e Roseana Sarney são acusados pelo MPF de irregularidades na extinta Sudam

Por Stanley Burburinho

Ex-Governador do Maranhão José Reinaldo Tavares e o processo do marido da Marina Silva.

Ontem, no debate da Record, a candidata Marina Silva acusou Dilma falando em escândalos de corrupção.
Mas Dilma respondeu à altura dizendo que se comportou na Casa Civil, da mesma forma que Marina se comportou no Ministério do Meio Ambiente, pois Marina também teve casos de corrupção na venda de madeira ilegal no período em que esteve no ministério, e teve que afastar funcionários.

Quando acusa, a Marina se esquece de que o seu marido que, no mesmo processo que a Roseana Sarney, é acusado pelo Ministério Público Federal por irregularidades na extinta Sudam. Veja mais abaixo o processo no STF.

Essas informações foram publicadas no blog do ex-governador do Maranhão José Reinaldo Tavares:

“O técnico agrícola Fábio Vaz de Lima, casado com a ex-ministra Marina Silva, tem algo em comum com a senadora Roseana Sarney: é acusado de irregularidades na extinta Sudam. Lima e Roseana teriam beneficiado ilegalmente a Usimar em São Luis, com recursos do Fundo de Investimentos da Amazônia. O processo, com onze volumes, envolve também o marido de Roseana, Jorge Murad.

Esse foi um dos maiores escândalos do governo de Roseana, embora longe de ser o único. E o sistema Mirante nunca falou disso. Ficou caladinho. O número do Protocolo é 2004/39053 e a data de entrada no
STF é de 13/04/ 2004. O número do processo é 200137000080856 e a origem é o Maranhão. São 11 volumes com 3097 folhas e 19 apensos. O requerente é o Ministério Público Federal. São muitos os requeridos e, entre eles, Roseana Sarney Murad e Jorge Francisco Murad Junior.

Lembram-se da Usimar? Era para ser uma grande indústria de fundição. O valor aprovado foi de mais de R$ 600 milhões. E a Roseana para garantir a aprovação do projeto contra o parecer dos técnicos da Sudam
exigiu que a reunião da Sudam fosse realizada aqui onde o projeto acabou aprovado, sob pressão da governadora. A Sudam chegou a liberar R$ 40 milhões que sumiram sem explicação. Só ficou um calçadão no local. Está indo bem devagar, mas deve andar. (...)”

O trecho de texto acima diz que o valor aprovado foi mais de R$ 600 milhões. Mas, na placa colocada no canteiro da obra diz que o valor é de R$ 1.380.054.840,00. Veja neste link a foto do local, completamente abandonado, com o valor da obra na placa.

Curiosidade:


Veja que na mesma relação do STF dos acusados pelo MPF de improbidade administrativa, além do nome da Roseana Sarney e do Alexandre Firmino, marido da Sra. Lina Maria Vieira, está o nome do técnico agrícola Fábio Vaz de Lima, marido da Sra. Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima ou ex-Ministra Marina Silva e candidata à presidência:

“PROCEDÊNCIA

Número: PROC/200137000080856

Orgão de Origem: SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Origem: MARANHÃO

Volume: 11 Apensos:19 Folhas:3097 Qtd.juntada linha: 0

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Ramo do Direito

Assunto

DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO
Atos

Administrativos
Improbidade Administrativa

Folhas 3097

Data de Autuação 19/04/2004

PARTES

Categoria Nome

REQTE.(S) MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

REQDO.(A/S) ROSEANA SARNEY MURAD (…)
REQDO.(A/S) FÁBIO VAZ DE LIMA (…)
REQDO.(A/S) ALEXANDRE FIRMINO DE MELO FILHO”

O STF enviou o processo para a Vara Federal do Maranhão em 09/09/2008.


Mês que vem fará um ano que o processo está parado no Maranhão:

“Guia: 11344/2008
Data de Remessa: 09/09/2008
Data de Recebimento: 09/09/2008”

neste link.
Posso imaginar o que a velha imprensa faria com essa informação se fosse com a candidata Dilma.

Lamentável Cantanhêde

Por Dalva Teodorescu

Eliana Cantanhêde perdeu uma chance única de prestar minimamente serviço ao jornalismo, em entrevista de Sandra Cureau que estampa hoje na contra capa da Folha.

Com foto de página inteira da Procuradora-Geral Eleitoral, a entrevista serve mais uma vez para atacar o presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff.

Nem uma palavra ou menção ao ato de intimadação lançado contra a revista CartaCapital pela dita procuradora.

Que jornalismo exerce a colunista da Folha para deixar de lado a questão mais polêmica do momneto envolvendo Sandra Cureau?

domingo, 26 de setembro de 2010

Em resposta a Lula, Estadão manifesta apoio a José Serra

Por Dalva Teodorescu

Hoje quando li o editoria do Jornal O Estado de São Paulo, tornando público seu apoio ao candidato José Serra, senti grande alívio e nítida sensação de que o mundo acordara mais civilizado.

O Jornal não fugiu à sua responsabilidade, como afirma o editorial. Respondeu ao presidente Lula, que em suas críticas à imprensa, conclamou os donos de jornais a posicionar seu apoio ao candidato de sua preferência.

Foi um ato de grandeza do jornal, não há como negar. Ao responder com justeza ao apelo do presidente, demonstrou maturidade jornalística.

Deveria ter feito esse anúncio no início da campanha eleitoral, como fez a revista CartaCapital, quando manifestou apoio a Candidata Dilma Rousseff.

Mesmo assim foi um passo importante. É difícil não ligar esse avanço na postura do jornal aos recentes embates entre o presidente da República, setores da sociedade civil e setores da mídia tradicional.

Desde ontem (sábado) o editorial do Estadão procurou ajustar os exageros da última semana, deixando claro que “a imprensa brasileira é hoje tão livre como era no primeiro dia de Lula presidente. Quando não é, como no caso da censura prévia imposta a este jornal o problema se origina no judiciário”.

O Jornal afirma também estar “de pleno acordo”, em relação à fala do presidente, ser uma "necessidade da nação brasileira discutir o estabelecimento de um novo marco regulatório do setor de telecomunicações". “Não é de hoje que o Estado critica a concentração da propriedade privada na mídia e as facilidades para que um punhado de grupos econômicos controle, numa mesma praça, emissoras e publicações”, disse o editorial.

Depois de discorrer sobre os riscos de um congresso controlado por petistas viessem a aprovar uma lei como a que aplica hoje Cristina Kirchner, na Argentina (lei que justamente limita a concentração da propriedade privada na mídia), o editoria afirma ser alentador “ as declarações de Dilma em defesa da liberdade de imprensa” quando repete que “o único controle social da mídia que aprova é o controle remoto da televisão”.

Com esses dois editoriais o Estadão procurou sair do limbo panfletário em que entrou, na semana passada, a chamada imprensa tradicional.

Nada contra ler um jornal de direita, cada um defende suas posições é essa a máxima da democracia, mas que este deixe bem claro “tomar partido na disputa eleitoral”, como fez o Estado, e não distorça ou omita fatos que possam favorecer a candidatura adversária.

As justificativas dadas pelo jornal para sua tomada de partido em relação ao candidato José Serra, em nome de valores, é também de natureza ideológica, como se sabe. E o jornal tem o direto de manifestá-la.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Liberdade de expressão: um ato para a história

23 de setembro de 2010 às 23:23

Escrito por Renato Rovai – Revista Fórum – Blog do Rovai

O Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo viveu um dos seus melhores dias nesta quinta-feira à noite.

Eram 18h15 quando este blogueiro chegou ao local e mais de cinquenta pessoas já se aglomeravam no auditório Wladimir Herzog, que tem capacidade para 100 pessoas sentadas.

O ato começaria às 19h, registre-se.
Entramos numa das salas da diretoria da entidade pra discutir os encaminhamentos do evento e quando saimos, umas 18h45, o auditório já está lotado.

O ato começou às 19h20. Éramos umas 300 pessoas no auditório e uma fila de mais de 100 tentando entrar.

Ao fim, os mais pessimistas falavam em 600 presentes. E os otimistas em mais de 1 mil. Este blogueiro arrisca dizer que de 700 a 800 pessoas estiveram no Sindicato dos Jornalistas nesta quinta à noite.

Havia gente no corredor, no saguão do prédio e na rua. Algo impressionante.
E gente de diversos lugares. Um número considerável de pessoas de outras cidades e até de outros estados.

Além da presença de muitos veículos da mídia independente e livre, o que surpreendeu foi a presença maciça de órgãos da mídia tradicional. Provavelmente esses veículos esperavam que algo fosse dar errado. Ou imaginavam que a gente repetiria o fiasco do ato que ajudaram a promover na tarde de ontem na Faculdade do Largo São Francisco. E que não juntou nem 100 pessoas.

De qualquer forma é importante que se registre aqui que a relação com a imprensa comercial foi absolutamente respeitosa. Nenhum jornalista teve qualquer dificuldade pra realizar o seu trabalho.

Posso assegurar, porque fiz essa mediação, que todos foram tratados de forma democrática e respeitosa.

Havia gente do Globo, do Estadão, da Folha, da Record, da Veja etc.

Da mesa do participaram representantes da CUT, CTB, CGTB, Nova Central Sindical, MST, Altercom, Barão de Itararé, Sindicato dos Jornalistas, PDT, PCdoB e PSB.
Pelo PSB falou a deputada federal Luiza Erundina. Ela encerrou o encontro e foi a mais aplaudida da noite.

Segue a carta lida pelo Altamiro Borges, em nome do Centro de Estudos Barão de Itararé.

É importante que ela seja divulgada para todos os cantos possíveis.
Pela ampla liberdade de expressão no Brasil.

O ato “contra o golpismo midiático e em defesa da democracia”, proposto e organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, adquiriu uma dimensão inesperada.
Alguns veículos da chamada grande imprensa atacaram esta iniciativa de maneira caluniosa e agressiva. Afirmaram que o protesto é “chapa branca”, promovido pelos “partidos governistas” e por centrais sindicais e movimentos sociais “financiados pelo governo Lula”. De maneira torpe e desonesta, estamparam em suas manchetes que o ato é “contra a imprensa”.
Diante destas distorções, que mais uma vez mancham a história da imprensa brasileira, é preciso muita calma e serenidade. Não vamos fazer o jogo daqueles que querem tumultuar as eleições e deslegitimar o voto popular, que querem usar imagens da mídia na campanha de um determinado candidato. Esta eleição define o futuro do país e deveria ser pautada pelo debate dos grandes temas nacionais, pela busca de soluções para os graves problemas sociais. Este não é momento de baixarias e extremismos.
Para evitar manipulações, alguns esclarecimentos são necessários:
1. A proposta de fazer o ato no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo teve uma razão simbólica. Neste auditório que homenageia o jornalista Vladimir Herzog, que lutou contra a censura e foi assassinado pela ditadura militar, estão muitos que sempre lutaram pela verdadeira liberdade de expressão, enquanto alguns veículos da “grande imprensa” clamaram pelo golpe, apoiaram a ditadura – que torturou, matou, perseguiu e censurou jornalistas e patriotas – e criaram impérios durante o regime militar. Os inimigos da democracia não estão no auditório Vladimir Herzog. Aqui cabe um elogio e um agradecimento à diretoria do sindicato, que procura manter este local como um espaço democrático, dos que lutam pela verdadeira liberdade de expressão no Brasil.
2. O ato, como já foi dito e repetido – mas, infelizmente, não foi registrado por certos veículos e colunistas –, foi proposto e organizado pelo Centro de Estudos Barão de Itararé, entidade criada em maio passado, que reúne na sua direção, ampla e plural, jornalistas, blogueiros, acadêmicos, veículos progressistas e movimentos sociais que lutam pela democratização da comunicação. Antes mesmo do presidente Lula, no seu legítimo direito, criticar a imprensa “partidarizada” nos comícios de Juiz de Fora e Campinas, o protesto contra o golpismo midiático já estava marcado. Afirmar o contrário, insinuando que o ato foi “orquestrado”, é puro engodo. Tentar partidarizar um protesto dos que discordam da cobertura da imprensa é tentar, isto sim, censurar e negar o direito à livre manifestação, o que fere a própria Constituição. É um gesto autoritário dos que gostam de criticar, mas não aceitam críticas – que se acham acima do Estado de Direito.
3. Esta visão autoritária, contrária aos próprios princípios liberais, fica explícita quando se tenta desqualificar a participação no ato das centrais sindicais e dos movimentos sociais, acusando-os de serem “ligados ao governo”. Ou será que alguns estão com saudades dos tempos da ditadura, quando os lutadores sociais eram perseguidos e proibidos de se manifestar? O movimento social brasileiro tem elevado sua consciência sobre o papel estratégico da mídia. Ele é vítima constante de ataques, que visam criminalizar e satanizar suas lutas. Greves, passeatas, ocupações de terra e outras formas democráticas de pressão são tratadas como “caso de polícia”, relembrando a Velha República. Nada mais justo que critiquem os setores golpistas e antipopulares da velha mídia. Ou será que alguns veículos e até candidatos, que repetem o surrado bordão da “república sindical”, querem o retorno da chamada “ditabranda”, com censura, mortos e desaparecidos? O movimento social sabe que a democracia é vital para o avanço de suas lutas e para conquista de seus direitos. Por isso, está aqui! Ele não se intimida mais diante do terrorismo midiático.
4. Por último, é um absurdo total afirmar que este ato é “contra a imprensa” e visa “silenciar” as denúncias de irregularidades nos governos. Só os ingênuos acreditam nestas mentiras. Muitos de nós somos jornalistas e sempre lutamos contra qualquer tipo de censura (do Estado ou dos donos da mídia), sempre defendemos uma imprensa livre (inclusive da truculência de certas redações). Quem defende golpes e ditaduras, até em tempos recentes, são alguns empresários retrógrados do setor. Quem demite, persegue e censura jornalistas são os mesmos que agora se dizem defensores da “liberdade de imprensa”. Somos contra qualquer tipo de corrupção, que onera os cidadãos, e exigimos apuração rigorosa e punição exemplar dos corruptos e dos corruptores. Mas não somos ingênuos para aceitar um falso moralismo, típico udenismo, que é unilateral no denuncismo, que trata os “amigos da mídia” como santos, que descontextualiza denúncias, que destrói reputações, que desrespeita a própria Constituição, ao insistir na “presunção da culpa”. Não é só o filho da ex-ministra Erenice Guerra que está sob suspeição; outros filhos e filhas, como provou a revista CartaCapital, também mereceriam uma apuração rigorosa e uma cobertura isenta da mídia.
5- Neste ato, não queremos apenas desmascarar o golpismo midiático, o jogo sujo e pesado de um setor da imprensa brasileira. Queremos também contribuir na luta em defesa da democracia. Esta passa, mais do que nunca, pela democratização dos meios de comunicação. Não dá mais para aceitar uma mídia altamente concentrada e perigosamente manipuladora. Ela coloca em risco a própria a democracia. Vários países, inclusive os EUA, adotam medidas para o setor. Não propomos um “controle da mídia”, termo que já foi estigmatizado pelos impérios midiáticos, mas sim que a sociedade possa participar democraticamente na construção de uma comunicação mais democrática e pluralista. Neste sentido, este ato propõe algumas ações concretas:
- Desencadear de imediato uma campanha de solidariedade à revista CartaCapital, que está sendo alvo de investida recente de intimidação. É preciso fortalecer os veículos alternativos no país, que sofrem de inúmeras dificuldades para expressar suas idéias, enquanto os monopólios midiáticos abocanham quase todo o recurso publicitário. Como forma de solidariedade, sugerimos que todos assinemos publicações comprometidas com a democracia e os movimentos sociais, como a Carta Capital, Revista Fórum, Caros Amigos, Retrato do Brasil, Jornal Brasil de Fato, Revista do Brasil, Hora do Povo entre outros; sugerimos também que os movimentos sociais divulguem em seus veículos campanhas massivas de assinaturas destas publicações impressas;
- Solicitar, através de pedidos individuais e coletivos, que a vice-procuradora regional eleitoral, Dra. Sandra Cureau, peça a abertura dos contratos e contas de publicidade de outras empresas de comunicação – Editora Abril, Grupo Folha, Estadão e Organizações Globo –, a exemplo do que fez recentemente com a revista CartaCapital. É urgente uma operação “ficha limpa” na mídia brasileira. Sempre tão preocupadas com o erário público, estas empresas monopolistas não farão qualquer objeção a um pedido da Dra. Sandra Cureau.
- Deflagrar uma campanha nacional em apoio à banda larga, que vise universalizar este direito e melhorar o PNBL recentemente apresentado pelo governo federal. A internet de alta velocidade é um instrumento poderoso de democratização da comunicação, de estimulo à maior diversidade e pluralidade informativas. Ela expressa a verdadeira luta pela “liberdade de expressão” nos dias atuais. Há forte resistência à banda larga para todos, por motivos políticos e econômicos óbvios. Só a pressão social, planejada e intensa, poderá garantir a universalização deste direito humano.
- Apoiar a proposta do jurista Fábio Konder Comparato, encampada pelas entidades do setor e as centrais sindicais, do ingresso de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) por omissão do parlamento na regulamentação dos artigos da Constituição que versam sobre comunicação. Esta é uma justa forma de pressão para exigir que preceitos constitucionais, como o que proíbe o monopólio no setor ou o que estimula a produção independente e regional, deixem de ser letra morta e sejam colocados em prática. Este é um dos caminhos para democratizar a comunicação.
- Redigir um documento, assinado por jornalistas, blogueiros e entidades da sociedade civil, que ajude a esclarecer o que está em jogo nas eleições brasileiras e que o papel da chamada grande imprensa tem jogado neste processo decisivo para o país. Ele deverá ser amplamente divulgado em nossos veículos e será encaminhado à imprensa internacional
Enviado por Sergio Telles no Opiniões - Sergio Telles em 9/24/2010 12:00:00 AM

http://redecastorphoto.blogspot.com/2010/09/liberdade-de-expressao-um-ato-para.html
O apoio (constrangedor) de MervaL Pereira a Marina Silva

Por Dalva Teodorescu

Hoje mais um artigo de Merval Pereira, no Blog de Noblat, exaltando o voto útil e o voto oculto na candidata Marina Silva. Foi o segundo artigo de Merval essa semana enaltecendo a possibilidade de Marina ir ao segundo turno. Na verdade, o voto é para Serra ir para o segundo turno ou para que a velha mídia não seja derrotada no primeiro turno.

Marina cresceu dois pontos. Pode crescer mais, mas não tem a mínima condição de ir ao segundo turno. A diferença entre ela e Serra é enorme.

Melhor seria que Marina, e seus novos amiguinhos da mídia, assumissem que quer o segundo turno para negociar seus cerca de dez por cento de votos e pronto.

Depois de Merval Pereira se reunir no Clube Militar do RJ com o General da Reserva e um jornalista da Veja, para discutir a ameaça de liberdade de expressão na América Latina, fica meio chato para a Marina o apoio insistente do Merval Pereira, Lúcia Hipólito e toda a turma da Globo.

A campanha dos noveleiros GLOBAIS em apoio a Marina chegou à Folha Online. São ligações mais do que perigosas.

Deve ser frustrante para a Marina Silva, que começou a campanha se dirigindo aos pobres, contar agora com o apoio dos mais poderosos: os Globais, mas também os mais ricos. Tudo coerente, o vice de Marina também é um dos mais ricos do Brasil.

Sobre o ato do sindicato por Brizola Neto

Por Dalva Teodorescu

Foi com grande emoção que li, no Blog de Brizola Neto, o texto que segue. Compartilho aqui a minha emoção.


Do Tijolaço - BLOG DE BRIZOLA NETO


Ontem, mergulhado nessa reta final de campanha eleitoral aqui no Rio, não pude estar em São Paulo no ato organizado pelos blogueiros, representantes dos movimentos sociais, centrais e partidos – coordenados pelo recém fundado Centro de Estudos Barão de Itararé de defesa da imprensa alternativa, presidido pelo jornalista Altamiro Borges.

Mas esteve lá, em nome do PDT, o jornalista Osvaldo Maneschy, um grande coladorador de meu avô, editor do site do PDT e meu amigo e representante onde quer que esteja.
Dele, esta madrugada, recebi um e-mail que transcrevo aqui:

“Brizolinha, como você me pediu, além de representar o PDT, fiquei satisfeito em representar você ontem, no ato em São Paulo. Acho que seria ocioso descrever o encontro, que, à esta altura, está narrado em todos os blogs progressistas – e eram muitos – que estavam lá com seus próprios autores. Além disso, já está no youtube o discurso de encerramento – brilhante – da deputada Luiza Erundina que diz tudo que se poderia dizer.

Só quero te dizer o seguinte: não há nada de mais reconfortante para minha geração do que ver tanta gente jovem participando de um encontro como muitos dos quais participei, então jovem, no final dos anos 70, início dos 80.

A causa da liberdade era a mesma, a causa da democracia era igual, mas agora – que diferença – temos a proteção de um Estado de Direito e as armas da comunicação pela internet, que tão cedo despertaram a atenção de seu avô, ainda nos anos 90.

Por ironia, ontem na coluna do Merval Pereira – o que este sujeito já fez contra Brizola é inacreditável – um dirigente daquele famigerado Instituto Millenium, Paulo Uebel, referindo-se ao encontro num clube militar do qual Merval e Reinaldo Azevedo participariam, disse que “por ironia do destino, os militares organizaram um evento para defender a liberdade de imprensa no mesmo dia em que os sindicatos e os movimentos sociais organizaram uma manifestação para atacar a liberdade de imprensa. Os tempos mudaram”.

Sim, senhor Uebel, os tempos mudaram. Não fomos atacar a liberdade de imprensa, porque por ela demos os melhores anos de nossas juventudes, nossas liberdades e alguns, a própria vida. Nem mesmo fomos atacar as empresas de comunicação, pois não há um jornalista que não ame aqueles empreendedores que transformaram sonhos em papel impresso, que penduraram “papagaios” para mantê-los vivos, que enfrentaram aventuras e desventuras que os tornaram referências para gerações de jornalistas como eu.

Os tempos mudaram, senhor Uebel, porque o Brasil excludente, autoritário, censurado e triste que os anos pós 64 criaram não vai se repetir. Porque agora há liberdade, há regras institucionais que são sagradas, inclusive para os próprios militares, há um povo mais informado e as empresas e interesses representados por estas vozes que falam, hipocritamente, na democracia que mataram, naqueles tempo, já não são as únicas que se pode ouvir.


Lembro-me de uma frase de seu avô: nós, sermos contra a propriedade? De jeito nenhum, achamos a propriedade uma coisa tão boa que queremos que todos tenham direito a ela. O mesmo pode-se dizer da liberdade de informação e de imprensa. Nós a achamos tão boa, mas tão boa, que não queremos que ela seja privilégio dos donos das empresas de comunicação e dos jornalistas que os servem, antes de servirem ao povo brasileiro.

Queremos liberdade de imprensa para todos, não apenas para alguns; assim como queremos liberdade com emprego, com salário, com comida, com dignidade para todo ser humano e não apenas para uma parte deles.

Deste sonho de liberdade de informação – escute este veterano jornalista - nada nos aproximou tanto quanto a internet. Não pude pensar, pelos mais de 20 anos de convívio que tivemos, em como o velho Briza estaria feliz ali, naquele encontro. E como é bom ver o seu neto como um dos ponta-de-lança deste combate limpo, aberto e valente que a blogosfera trava, todos os dias, contra as trevas da desinformação e a perversidade da manipulação”

Um grande abraço e espero ter sido, nesta hora em que você, compreensivelmente, não pôde estar lá, o teu coração naquele encontro”

Osvaldo Maneschy

Inspirado no que disse o Maneschy, posto aí em cima um vídeo, que está no canal do cartunista Latuff, onde são lidos trechos dos editoriais da grande mídia em 1964. Por eles se tira, para os que não vivemos aqueles tempos, a ficha pregressa dos fariseus que hoje falam em liberdades ameaçadas.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Lula em entrevista ao Terra fala sobre a América Latina de hoje

Todos os blogs divulgaram, ok,  mas vamos dar os links também e destacar um parágrafo, já o tema tem tudo a ver com o que postamos hoje.

Terra - Presidente, quais são as principais barreiras para que a América Latina tenha um papel preponderante como mercado, essa questão que o Mercosul discute muito e não consegue avançar?


Oh, gente! Pelo amor de Deus! Deixa eu falar uma coisa para vocês. O problema hoje é que quem está em crise são os ricos. Nós estamos muito bem aqui na América Latina. Você sabe quanto que a gente tinha de balança comercial com a Argentina? Nove bilhões. Agora a gente chegou a R$ 30 bilhões. O maior parceiro comercial do Brasil hoje não é a Europa, não é os Estados Unidos, é a América Latina como um todo. Então o que acontece, nós fizemos um trabalho de diversificar as relações e a América do Sul está se fortalecendo. Quanto tempo você acha que a França conseguiu chegar ao que é, que a Alemanha chegou ao que é? Nós demos passos importantes. A economia chilena cresce, a Argentina cresce, o Uruguai cresce, o Paraguai cresce... Todo mundo está crescendo.
 
Para ler e assistir:
Primeira parte: clique aqui
Segunda parte: clique aqui
Terceira parte: clique aqui
 

Galbraith diz que progresso social do Brasil é impressionante

Da Carta Maior

"É impressionante. Funciona e é algo que deve ser compreendido pelo resto do mundo. Em toda a minha vida, esta é a primeira vez que o resto do mundo está olhando para a América do Sul e para o Brasil como exemplo de algo que funcionou. A população tem aceitado e essa, a meu ver, é a coisa certa a se fazer". As afirmações são do economista James Galbraith, que participou de um seminário promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, em Brasília. Em entrevista à Carta Maior, Galbraith analisa a situação da economia mundial e elogia as políticas de combate às desigualdades sociais em curso no Brasil e em outros países da América Latina.


Cláudia Guerreiro - Especial para Carta Maior

Respeitado internacionalmente por seu posicionamento frente às questões econômicas mundiais, o economista James Galbraith, de passagem por Brasília para participar do Seminário Internacional sobre Governança Global, promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, conversou com a Carta Maior sobre crise, desenvolvimento e capitalismo. Confira:

Na sua opinião, estamos assistindo ao desenvolvimento de um novo ciclo da economia mundial?
JAMES GALBRAITH: Certamente estamos observando um novo ciclo, mas se será caracterizado por desenvolvimento, ainda não está claro. Isso depende da capacidade da comunidade internacional de moldar o caminho futuro da mudança econômica com uma visão estratégica apropriada. Até então, não temos visto isso. O que vemos – e refiro-me aqui aos Estados Unidos e à Europa, que estão no centro da crise – é um esforço para fazer as coisas voltarem ao que eram e fazer com que instituições falidas voltem a funcionar nos mesmos padrões de antes da crise.

O desapontamento que estamos testemunhando com os resultados da economia, me parece ter bastante a ver com o fato de que essa estratégia simplesmente não vai funcionar. Não é um método realista. Não estou separando a crise dos EUA da europeia. O que aconteceu com a Europa foi uma corrida por qualidade. Venderam os bounds e outros investimentos que acharam arriscados. Pensaram que a Grécia, Portugal e Irlanda eram arriscados e compraram títulos do tesouro americano. Fizeram isso porque outros investimentos que tinham, como os relacionados ao mercado imobiliário americano, perderam valor. Então, tentaram proteger sua posição. Não é que tenham descoberto algum ruim sobre a Grécia – todos os investidores sabem há décadas que a Grécia tem problemas: o país não cobra taxas dos ricos e tem os serviços muito amplos e ineficientes –. Isso não é segredo. A verdade é que no ciclo da economia, nos bons tempos você empresta dinheiro para países fracos e nos ruins, para de emprestar. Foi o que aconteceu com a Grécia. Tiraram os investimentos não porque descobriram algo novo sobre o país, mas devido ao que aconteceu nos EUA.


Especialistas dizem que os Estados Unidos estão prestes a sofrer uma nova crise econômica. O que o senhor pensa a respeito?

JG: Acho que ainda estamos trabalhando em um mesmo processo, que na verdade foi tornado inevitável há vários anos devido à falta de habilidade para regular e controlar o sistema financeiro. Isso levou primeiro ao boom, depois à crise e como consequência disso haverá um longo período para saldar as dívidas. E isso é muito mais complicado do que no caso dos países da América Latina nos anos 80. Nesse caso, tinha-se uma única fonte de empréstimo e quando se negociava com ela, vamos dizer bancos internacionais, estava resolvido. Era apenas uma questão de chegar a um ponto em que os bancos concordassem em fazer um acordo ou se o Tesouro Americano estava preparado para enconrajá-los a fazer um acordo, e isso aconteceu em 1989.

Na situação atual, existem milhões de fontes de empréstimo e milhares de credores, porque o financimento imobiliário foi dividido, segurizado e cortado em pedaços e agrupado com todos os outros instrumentos complicados. Então a dificuldade de se chegar a um acordo é muito grande. De fato, em termos práticos, não vai ser possível. O que vai acontecer é que as pessoas vão evitar fazer novos financiamentos. É o que elas vão fazer. O banco é dono da casa, a família vai para algum outro lugar.

O Brasil conseguiu escapar aos efeitos mais perversos das últimas crises. Isso aconteceu porque o governo agiu certo ou foi mera sorte de país emergente?

JG: Nos últimos dez anos, o Brasil tem buscado uma política de incremento, mudanças institucionais e desenvolvimento. Criou um sistema financeiro com inúmeras alternativas aos bancos comercias e completou o ciclo de circulação econômica, aumentando o poder de compra das classes mais pobres. E isso funciona. Há dois países no mundo nos quais você vê um mercado de redução da pobreza extrema: a China é um e o Brasil é outro. A situação da China se aplica apenas a ela. O legado histórico e institucional da China não é algo que alguém adotaria de maneira voluntária: a Revolução Cultural. O que eles fizeram é incrivel, mas tendo como preço um enorme sofrimento e uma sociedade que não é livre.

O Brasil fez isso sob uma democracia funcional, construído sobre princípios sociais essencialmente democráticos que tem sido atacados ininterruptamente por ideólogos neoliberais nos ultimo 30 anos. Ainda assim, aqui observamos, às sombras do modelo econômico da última década, um exemplo de que essa política acarretou um progresso social indiscutível e, mais do que isso, parece ser bem popular. A população tem aceitado e essa, a meu ver, é a coisa certa a se fazer. É impressionante. Funciona e é algo que deve ser compreendido pelo resto do mundo. Em toda a minha vida, esta é a primeira vez que o resto do mundo está olhando para a América do Sul e para o Brasil como exemplo de algo que funcionou.

Em sua apresentação o senhor disse que as pessoas tem uma ideia muito romântica acerca do capitalismo. Como isso ocorre?

JG: Particularmente nos EUA existe, no momento, um discurso político com uma tendência para descrever o país como liberal e com um mercado livre, no sentido da economia capitalista europeia. Isso é uma besteira. Não corresponde aos EUA no qual a população vive. O grande capitalismo liderado pelos bancos e instituições financeiras entrou em colapso em 1929.

A partir do início dos anos 30 o país foi reconstruído, tornando-se totalmente diferente, com um modelo que tinha um forte elemento de companhias privadas, mas no qual instituições cruciais foram estabelecidas por autoridades públicas, pelo New Deal. Nós temos a previdência social, a administração pública de trabalho, o conselho de monitoramento, a autoridade de Tenesee Valley, as indústrias públicas de administração, e poderíamos continuar conversando por muito tempo sobre como o país foi consruído nas décadas de 1930 e 1940. Isso levou a um periodo de prosperidade relativamente estável durante os anos de 1950 e 1960, até chegar à década de 1970.

O que aconteceu depois disso foi um esforço feito por Reagan, e particularmente por Bush (filho), de estabelecer o mundo que existia antes de 1929. Ter um país no qual o verdadeiro poder estava nas mãos do setor financeiro privado. Nessa escolha, existem duas realidades: a primeira é que haverá uma ascensão e queda muito rápidas. E a outra é que eles ainda não desmembraram as instituições existentes dos anos 1930 aos 1960. Então ainda temos previdência social, MedCare... ainda temos grandes instituições que estabilizam a economia e que funcionam. Essa é a razão para a crise não ter sido tão violenta quanto a de 1929. A taxa de desemprego chegou a 10% e não a 25%. O que é chamado de capitalismo não tem sido capitalismo. Esse, ao longo da minha vida, eu não conheci.

Janio de Freitas chama à razão para evitar radicalismos

Por Dalva Teodorescu

Janio de Freitas, mais uma vez em sua coluna, fez hoje um artigo brilhante sobre os perigos da radicalização dos discursos na reta final das campanhas eleitorais.

Janio de Freitas não desconsidera possíveis exageros nas falas do presidente Lula, mas insiste que a Democracia não está ameaçada como pregam algumas personalidades. Tampouco, diz o colunista, a imprensa está dando golpe.

Janio de Freitas, como muitos da sua geração, vê com apreensão o evento do Clube Militar reunindo General da reserva e “ dois jornalistas que se opõem claramente ao governo”.

Chegou a hora de todos agirem com cautela, clama o jornalista.

Ligações perigosas no Clube Militar do RJ

Por Dalva Teodorescu

Mais perigoso do que atos em defesa da Democracia na mídia é o encontro anunciado para hoje no Clube Militar no Rio de Janeiro.

O evento foi organizado pelo General da Reserva José de Oliveira Souza, diretor do departamento cultural do Clube Militar, para debater a liberdade de expressão e ameaça à atividade da imprensa na América Latina.

Participarão do debate os jornalistas, Merval Pereira, de o Globo, Reinaldo Azevedo, da revista Veja e Rodolfo Machado Moura, diretor de assuntos legais da ABERT.

Clube militar, General da Reserva, Veja, Globo, Abert, ligações mais do que perigosas. Já vimos esse filme antes.

Sobrou para o Nassif

Por Dalva Teodorescu

Depois de o Estadão anunciar em Manchete que a Tecnet, empresa do grupo Rede TV que emprega o filho do ministro Franklin Martins, venceu LICITAÇÃO da EBC- Empresa Brasileira de Comunicação, hoje foi a vez do jornalista Luis Nassif ser denunciado por contrato estabelecido com a mesma EBC.

O jornal alega que o jornalista foi contratado pela EBC sem licitação! Licitação para um jornalista da categoria do Nassif? Fiquei pasma com a falta de respeito da parte do jornal do Dr. Ruy com o renomado jornalista.

O título da matéria “ Blogueiro que critica mídia é contratado da EBC”, não é só uma depreciação das pessoas que se comunicam através de Blogs, mas uma maneira clara de desqualificar o jornalista que por várias vezes foi premiado por seus pares, por sua competência na categoria jornalismo de economia, mídia eletrônico e impressa.

Uma imagem vale por mil palavras

Por Stanley Burburinho


Na legenda: "No dia mundial sem carro, e apenas 24 horas depois do caos no sistema de metrô de São Paulo, o presidenciável José Serra (PSDB) percorreu o trajeto entre a Estação das Clínicas e o Expo Center Norte"
Ver mais aqui.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

O manifesto da velha USP e sua criação, o PSDB

Por Dalva Teodorescu

Intelectuais, com apoio de alguns artistas e juristas, organizaram um “Manifesto em Defesa da Democracia”, cujo lançamento se daria hoje em ato público no na Faculdade de Direito do Largo São Francisco.

A iniciativa foi uma resposta ao ato público previsto para amanhã no Sindicato dos Jornalistas e organizado pelo Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Nada contra a realização de um ato público em defesa da democracia. A pluralidade de atos, cada um defendendo seu ponto de vista, mostra que a Democracia está funcionando a todo vapor no país.

O que incomoda é o fato dos organizadores insistirem que a Democracia e a liberdade de imprensa estão ameaçadas.

Chama atenção que o ato tenha sido organizado por intelectuais da Velha USP, de cuja costela nasceu o PSDB.

Vale a pena aqui divulgar os nomes dos assinantes do Manifesto.

O jurista Hélio Bicudo. O ex-presidente do STF Carlos Velloso, o embaixador Celso Lafer, o poeta Ferreira Gullar, D. Paulo Evaristo Arns, os atores Rosamaria Murtinho, Mauro Mendonça e Carlos Verezza, os Historiadores Boris Fausto e Marco Antonio Villa e os cientistas políticos Leôncio Martins Rodrigues, José Arthur Gianotti, José Alvaros Moisés, e Lourdes Sola.

Dessa turma tenho imenso respeito por D. Paulo Evaristo Arms e Boris Fausto. D. Paulo apoiou seu sobrinho Senador Flavio Armas quando este deixou o PT, em 2009, por não concordar com o apoio do presidente ao Senador Sarney.

Boris Fausto, como a maioria dos Uspianos de sua geração, é um crítico do PT e do Lula, mas jamais tece críticas virulentas, como seus colegas, e seus textos são bem fundamentados.

Já Arthur Gianotti, Leôncio Martins Rodrigues e companhia são realmente representantes de uma velha geração, hoje aposentada. Já quando éramos estudantes os achávamos velhos e chatíssimos, com seus estudos sobre a opressão do operariado.

Começaram a perder seu objeto de estudo, os operários oprimidos, com a fundação do PT. O objeto lhes escapou de vez com a chegada de um operário na presidência da República.

Isso foi para eles insuportável. Conceitos, digressões sobre a tomada de poder pelo operariado, tudo por água a baixo.

Para conter a amargura e o despeito, passaram a escrever coisas horríveis contra o operário que um dia apoiaram.

Um dia, num jantar, alguém perguntou notícias de Leôncio Martins Rodrigues a seu irmão. Este com naturalidade respondeu: “Ele escreve falando mal do Lula no Jornal”. Tinha virado a ocupação principal do cientista aposentado.

Já Marco Antonio Villa, considero-o um perigo para a formação dos futuros historiadores do Brasil.

Villa escreveu que o período de chumbo, vivido e sentido na pele por minha geração, não foi uma verdadeira ditadura se comparada com outros países da América Latina.

Recentemente, escreveu ainda que Lula e o ditador Garrastazu Médici se equivaliam. O homem é historiador da Universidade de São Carlos. Pelo que parece seus colegas não estão preocupados com a reputação do departamento de história da Universidade, porque não o refutam.

O ato público em defesa da democracia foi uma iniciativa de uma geração que se considerava a elite das elites, mas que agora, como a sua criatura o PSDB está agonizando.

Chama a atenção o pouco de intelectuais e artistas renomados que assinaram o manifesto. Ferreira Gullar e Rosamaria Murtinho são figurinhas carimbadas. Vale, mas vale menos.

Talvez a maior parte de intelectuais e artistas não assinaram o manifesto porque não acreditam que a Democracia brasileira esteja, de fato, ameaçada.

Mulheres são maioria no Executivo suíço pela 1ª vez

Da BBC Brasil

O Parlamento da Suíça elegeu nesta quarta-feira a social-democrata Simonetta Sommaruga para o cargo de ministra no Conselho Federal, dando às mulheres a maioria no maior órgão executivo do país pela primeira vez na história.


A escolha de Sommaruga, que toma posse em outubro, é um marco histórico em um país no qual as mulheres somente ganharam direito a voto no nível federal em 1971.

Sommaruga, de 50 anos, entra no lugar do ministro Moritz Leuenberger, de Transportes, Comunicação e Energia, que renunciou. Além da nova ministra, o Conselho tem outras três mulheres, de um total de sete.

O Conselho Federal funciona como um gabinete coletivo de governo, no qual cada integrante é responsável por uma pasta específica. Os ministros são eleitos pelo Parlamento para mandatos de quatro anos.

Além de Sommaruga, o parlamento elegeu Johann Schneider-Ammann, do Partido Liberal-Radical, como novo ministro.

As mulheres adquiriram direito a voto na Suíça em 1959, mas somente em nível regional. Apenas em 1971 elas puderam votar no âmbito federal. O último cantão (equivalente suíço aos Estados) a adotar o voto feminino foi Appenzell Innerrhoden, em 1990.

Desigualdade

A correspondente da BBC na Suíça Imogen Foulkes afirma que o país ainda tem muitos caminhos a percorrer em termos de igualdade entre os sexos.

A primeira ministra de governo foi eleita em 1984, mas desde então apenas seis mulheres chegaram a postos ministeriais.

Segundo a correspondente, as suíças têm uma média salarial muito inferior aos homens, o governo gasta menos de um terço do recomendado pela Unicef com auxílio-creche e, em termos de licença-maternidade, a Suíça é um dos países europeus com menos benefícios.

O manifesto neoudenista

O manifesto neoudenista

por Brizola Neto

Alguns artistas e intelectuais estão lançando, com grande apoio da mídia, um manifesto “em defesa da democracia”. Muito bem, todos somos e eu trago na vida familiar a herança da sombra ditatorial.


Mas a pergunta que me ocorre é: como é que a democracia está “assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade”.

Como é este autoritarismo hipócrita? As instituições funcionam livremente ou não? O Ministério Público não está impondo, até com muito mais severidade que ao outro contendor, sanções à candidata do Governo e ao próprio Presidente da República? Os ministros do TSE que ora rejeitam, ora confirmam estas sanções estão pressionados para qual dos dois atos?

A Polícia Federal está limitada partidariamente em sua ação? Não acaba de agir com total liberdade contra aliados do Governo?

Gostaria que os senhores respondessem a esta pergunta com um simples sim ou não.

Ou democracia seria pré-condenar qualquer pessoa acusada, sem o devido processo legal, sem julgamento regular e justo, sem direito de defesa?

Dizem eles que “é um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo”. Quero testemunhar, como membro do Legislativo, que nunca recebi uma ameaça, uma pressão ilegítima, um ultimato para votar em qualquer questão do interesse do Governo. Algumas vezes, aliás, caminhei em sentido contrário, e posso citar, por exemplo, a questão do reajuste dos aposentados e do fator previdenciário, onde nossa pressão – e inclusive, registro, de alguns petistas, como o Senador Paim – se voltou justamente contra o Governo, em defesa das causas que apoiamos.

Mas o que mais estranhei foi que o tal texto dissesse que “é aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses”.

Como assim?

Teriam os senhores signatários a fineza de dizer que mecanismos são estes? Seriam, por acaso, as determinações constitucionais de que as concessões de rádio e televisão sirvam à educação e à informação correta da população? E que grupos estão sendo financiados e como? Os senhores fariam a fineza de informar ou vão ficar na “denúncia anônima” que fez a excelentíssima Dra. Sandra Cureau inquirir a Carta Capital, de Mino Carta, sobre quais foram os anúncios que recebeu, quando os grandes jornais e revistas, evidentemente de oposição ao Governo, publicam também anúncios insitucionais e comerciais de empresas estatais?

Mas a direita manifesteira, que não faz manifesto contra a fome, contra a pobreza, contra o aniquilamento cultural da população submetica a uma mídia baixa e deseducadora, que estimula o individualismo e a “notoriedade a qualquer preço”, no final do texto entrega sua devoção:

“É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.”

Ah, sim, agora eu entendi.

O manifesto não é em defesa da democracia. É um manifesto em defesa do neoliberalismo, em defesa de Fernando Henrique Cardoso.

Não tenho nada contra.

Mas eu me lembro de uma frase de meu avô: as palavras devem ser usadas para expressar os pensamentos, não para os esconder.

Quando se esconde algo, boa coisa não é.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Americana solta no Irã agradece empenho do governo brasileiro por sua libertação

Publicada em 21/09/2010 às 16h32m
O Globo

NOVA YORK - A americana Sarah Shourd, recentemente libertada após 14 meses presa no Irã por suspeita de espionagem, foi nesta terça-feira à sede da Missão Brasileira na ONU, em Nova York, agradecer pessoalmente ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o empenho do governo brasileiro por sua libertação. Segundo a americana, Lula comentou o caso com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, quando esteve em Teerã.

Sarah estava acompanhada de sua mãe e de familiares de Joshua Fattal, seu amigo que continua preso no Irã. O namorado da americana, Shane Bauer, também está numa prisão iraniana. Os três negam as acusações que os levaram à prisão e alegam ter cruzado inadvertidamente a fronteira entre Iraque e Irã quando fazia uma escalada nas montanhas, no final de julho de 2009.
" Esperamos que o Brasil continue constantemente falando com os iranianos para que eles façam gestos humanitários "
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- Vim agradecer o interesse e o envolvimento do Brasil, mas não posso comentar mais nada - disse Sarah.

A americana disse a Amorim que só se sente "um terço livre" porque os dois companheiros de viagem continuam presos.
- Todo mundo está ajudando e estamos muito agradecidos pela ajuda do Brasil, do presidente Lula, do ministro Amorim. Esperamos que o Brasil continue constantemente falando com os iranianos para que eles façam um gesto humanitário. Sabemos que o Brasil teve uma grande influência na decisão de libertar a Sarah - disse Alex Fattal, que já morou em Belém do Pará e fala português.

Amorim disse que o Brasil sempre se interessou por esse assunto. Mas frisou que é preciso cuidar com delicadeza e discrição os assuntos humanitários.

- Sabemos muito bem que numa situação como essa ninguém pode ficar pegando crédito para si, foi um esforço em que muitos estiveram envolvidos, e o presidente Lula também. Ele falou com o presidente (Mahmoud) Ahmadinejad de maneira muito respeitosa, eu mandei também uma mensagem respeitosa mas ao mesmo tempo manifestando o apreço de que as ponderações do presidente Lula tenham sido ouvidas. Esperamos que ele possa tomar outras decisões soberanas no mesmo sentido - disse o chanceler.
O chanceler contou que recebeu na segunda-feira os agradecimentos da secretária de Estado, Hillary Clinton, pelas gestões pela libertação de Sarah.
" Foi um esforço em que muitos estiveram envolvidos, e o presidente Lula também "
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- Quando encontrei a secretária Hillary Clinton, disse a ela: "Como é, está contente que soltamos, que saiu um dos "hikers"? E ela disse "ah, muito obrigada" - contou Amorim.
Ahmadinejad pede libertações
Em Nova York para a Assembleia Geral da ONU, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, sugeriu que os Estados Unidos libertem oito iranianos que, segundo ele, estão detidos ilegalmente, observando que seu país soltou Sarah Shourd. Em uma entrevista com ajuda de um tradutor para o programa "This Week," da rede de televisão ABC, no domingo, Ahmadinejad chamou a libertação de "um grande gesto humanitário".
- Acredito que não seria inapropriado pedir que o governo dos EUA realize um gesto humanitário e liberte os iranianos que foram presos ilegalmente aqui nos EUA - disse, referindo-se a oito iranianos, sem dar nomes.
Ahmadinejad também denunciou uma "campanha midiática contra o Irã" no caso Sakineh Mohammadi-Ashtiani, a iraniana de 43 anos condenada a morte por apedrejamento por uma acusação de adultério e participação no assassinato de seu marido . Segundo o líder do Irã, ao mesmo tempo em que a imprensa ocidental se mostra indignada contra a execução da iraniana, cala-se sobre Teresa Lewis, uma americana deficiente mental que será executada, justamente, por ter participado no assassinato de seu marido.
"Uma mulher está sendo executada nos Estados Unidos e ninguém protesta", afirmou Ahmadinejad durante um encontro com personalidades e dignitários islâmicos nos Estados Unidos, segundo a agência oficial Irna.
Ahmadinejad falou ainda sobre a pobreza mundial e disse que o capitalismo está a beira da morte e está na hora de se adotar um novo sistema econômico.

Mino Carta responde a Sandra Cureau

A Vice-Procuradora Geral Eleitoral, Sandra Cureau, enviou ofício ao jornalista Mino Carta, exigindo da revista CartaCapital a “relação da publicidade do governo federal dos anos 2009/2010, os respectivos contratos, bem como os valores recebidos a esse título”.

A Vice-Procuradora estipulou o prazo de cinco dias para que as informações lhe fossem remetidas, “sob pena de responsabilização nos termos do artigo 8º, parágrafo 3º, da Lei complementar nº75/93, cumulada com o artigo 330 do Código Penal”.

Cureau justificou sua iniciativa dizendo que respondeu ao “pedido de um cidadão”, que teria denunciado a revista por “apoiar o governo Lula e a candidatura Dilma e que, para tanto, receberia verbas do governo federal”.

Conhecendo os atos controvertidos de Sandra Cureau, a iniciativa causou estranheza e revolta entre os leitores da revista e um movimento de apoio à CartaCapital começou a se formar, principalmente entre os blogueiros.

Ontem, o brilhante Mino Carta enviou uma carta à Vice-Procuradora Geral Eleitoral, que Mulheres de Fibra reproduz aqui na íntegra.


São Paulo, 20 de setembro de 2010.

Excelentíssima Senhora Vice-Procuradora Geral Eleitoral

Acuso o recebimento do ofício de número 335/10-SC, expedido nos autos do procedimento PA/PGR 1.00.000.010796/2010-33 e, tempestiva e respeitosamente, passo a expor o que se segue.

Para melhor atender ao ofício requisitório de relação nominal de contratos de publicidade celebrados entre o Governo Federal e a Editora Confiança Ltda. – revista CartaCapital –, tomamos a iniciativa e a cautela de consultar, por meio de repórter da nossa sucursal de Brasília, os autos do procedimento geradores da determinação de Vossa Excelência. Verificamos tratar-se de denúncia anônima, baseada em meras e afrontosas ilações, ou seja, conjecturas sem apoio em elementos a conferir lastro de suficiência.

Permito-me observar que a transparência é princípio insubstituível a nortear esta publicação, iniciada em 1994 e sob minha responsabilidade. Nunca nos recusamos, portanto, dentro da legalidade, a apresentar nossos contratos e aceitar auditorias e perícias voltadas a revelar a ética que nos orienta. Não podemos, no entanto, aceitar uma denúncia anônima, que, como já decidiu o Supremo Tribunal Federal ao interpretar o artigo 5º, inciso IV, da Constituição da República (“é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”), afronta o Estado democrático de Direito e por esta razão é indigna de acolhimento ou defesa e desprovida da qualidade jurídica documental.

A propósito do tema, ao apreciar o inquérito número 1.957-PR em sessão plenária realizada em 11 de maio de 2005, o STF decidiu, sobre o valor jurídico da denúncia anônima, só caber apurar a acusação dotada de um mínimo de idoneidade e amparada em outros elementos que permitam “apurar a sua verossimilhança, ou a sua veracidade ”.
Se esse órgão ministerial, apesar do exposto acima, delibera apresentar a requisição referida nesta missiva, seria antes de tudo necessário, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.784/1999, esclarecer e indicar os motivos da mesma, justificação esta que se encontra, me apresso a sublinhar, ausente da aludida requisição.

Cabe ainda ressaltar que todos os contratos firmados pela Administração Pública federal com a Editora Confiança, em atenção ao art. 37 da Constituição Federal, foram devidamente publicados em Diário Oficial da União e nas informações disponibilizadas na internet e, portanto, estão disponíveis à V. Excia.
C O N V O C A Ç Ã O


Sindicato dos jornalistas sediará
ato contra o golpismo midiático
(Dia 23, quinta, às 19 horas)


O Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé está organizando um importante ato de resistência às ações eleitorais da grande imprensa. O ato, no auditório Wladimir Herzog, do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, terá participação de Centrais Sindicais, movimentos sociais, partidos, profissionais de comunicação e personalidades das mais variadas correntes. O evento tem apoio do movimento de blogueiros progressistas.

O texto dos organizadores põe o dedo na ferida do conluio midiático: “Como num jogo combinado, as manchetes da velha mídia viram peças de campanha no programa de TV do candidato das forças conservadoras”. E alerta: “A onda de baixarias, que visa forçar a ida de Serra ao segundo turno, tende a crescer. Os boatos nas redações e bastidores das campanhas são preocupantes e indicam que o jogo sujo vai ganhar ainda mais peso.”

E, como nada acontece por acaso, o texto relembra: “No comando da ofensiva estão grupos de comunicação que – pelo apoio ao golpe de 64 e à ditadura – já mostraram seu desapreço pela democracia”.
Mais informações:
www.baraodeitarare.org.br

O ato: 23 de setembro (quinta), às 19 horas
Local: Auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
(Rua Rego Freitas, 530, próximo ao Metrô República, Centro, SP)

Presenças confirmadas de dirigentes do PT, PCdoB, PSB, PDT, de representantes da CUT, FS, CTB, CGTB, MST, FST e UNE e de blogueiros progressistas.

contamos com a sua presença

Sindicato da Central pró Serra oficializa apoio a Mercadante

Por Dalva Teodorescu

O sindicato dos comerciários manifestou adesão à campanha de Mercadante.

O sindicato dos comerciários é ligado à União Geral dos trabalhadores (UGT) que manifestou adesão aos candidatos José Serra e Alkimin.

De acordo com matéria do jornal o Estado de São Paulo, o apoio do sindicato ao candidato petista foi oficializado ontem, durante caminhada na Rua José Paulino.

O sindicato, diz a matéria, é o maior vinculado à UGT, com 450 mil filiados e em 2006 teria apoiado Alkimin.

Agradou ao sindicato, o fato de Mercadante ter saído em defesa dos camelos, afirmando que vai regularizar o comércio da categoria.

Olha o Mercadante no segundo turno. Muitos que não costumam militar por políticos, com as chances de o petista ir para o segundo turno, estão arregaçando as mangas e indo para a rua trabalhar por Mercadante.

Ato contra o golpismo midiático

As Mulheres de Fibra, blogueiras progressistas, confirmam presença:

COMPAREÇA AO ATO EM DEFESA DA DEMOCRACIA!

CONTRA A BAIXARIA NAS ELEIÇÕES!
CONTRA O GOLPISMO MIDIÁTICO!

Na reta final da eleição, a campanha presidencial no Brasil enveredou por um caminho perigoso. Não se discutem mais os reais problemas do Brasil, nem os programas dos candidatos para desenvolver o país e para garantir maior justiça social. Incitada pela velha mídia, o que se nota é uma onda de baixarias, de denúncias sem provas, que insiste na “presunção da culpa”, numa afronta à Constituição que fixa a “presunção da inocência”.

Como num jogo combinado, as manchetes da velha mídia viram peças de campanha no programa de TV do candidato das forças conservadoras.

Essa manipulação grosseira objetiva castrar o voto popular e tem como objetivo secundário deslegitimar as instituições democráticas a duras penas construídas no Brasil.

A onda de baixarias, que visa forçar a ida de José Serra ao segundo turno, tende a crescer nos últimos dias da campanha. Os boatos que circulam nas redações e nos bastidores das campanhas são preocupantes e indicam que o jogo sujo vai ganhar ainda mais peso.

Conduzida pela velha mídia, que nos últimos anos se transformou em autêntico partido político conservador, essa ofensiva antidemocrática precisa ser barrada. No comando da ofensiva estão grupos de comunicação que – pelo apoio ao golpe de 64 e à ditadura militar – já mostraram seu desapreço pela democracia.

É por isso que centrais sindicais, movimentos sociais, partidos políticos e personalidades das mais variadas origens realizarão – com apoio do movimento de blogueiros progressistas - um ato em defesa da democracia.

Participe! Vamos dar um basta às baixarias da direita!

Abaixo o golpismo midiático!

Viva a Democracia!

Data: 23 de setembro, 19 horas
Local: Auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
(Rua Rego Freitas, 530, próximo ao Metrô República, centro da capital paulista).

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Pesquisa aponta 7 pontos de diferença entre mercadante et Alkimin

Segundo pesquisa Ipespe/DIÁRIO de São Paulo a diferença de intenção de votos entre o candidato tucano e o petista caiu para 7 pontos.

Alkimim registra 46%.

Mercadante: 39%

Roussomano: 9%

Skaf: 4%

Indecisos: 16%

Nao sabe: 10%

Nulo: 6%

Para mentir mais a Folha Online censura a Folha escrita

Por Dalva Teodorescu

Estava para postar como o jornal Folha de São Paulo se autocensurou, em mais uma falsa denúncia sobre irregularidades na gestão de Dilma Rousseff, na Secretaria de Minas e Energia do RS e na Federação de Economia e Estatística entre 1991 e 2002.

No jornal escrito afirma que na Secretaria, “as falhas foram alvo de multas endossadas pelo Ministério Público durante tomada de contas no tribunal gaúcho. Acabaram perdoadas, entretanto, e transformadas em advertências”.

A matéria continua: “No voto sobre as contas, o TCE, concluiu que as ‘irregularidades remanescentes ‘ não propiciavam a rejeição das contas”.

Pois não é que na Folha Online dessa manhã a matéria suprimiu os parágrafos acima e ficou só a denuncia? Não acreditei na tamanha desonestidade!

Apesar de ter as contas aprovadas a Folha fez disso uma manchete em seu jornal escrito, mas na online seria mais difícil de passar.

Abrindo o blog do Nassif vi que ele fez melhor: publicou que o TCE do RS está procedendo como fez a Petrobrás quando, questionada por jornalistas, viu suas respostas deturpadas.

O TCU está colocando para consulta na Internet todas as respostas fornecidas aos jornalistas sobre a questão. Uma maneira inteligente de desmascarar a mentirosa Folha

Na verdade o TCE aprovou todas as contas da gestão da Dilma. E isso a Folha não falou.

Eleição em SP tem cheiro de 2 turno

Do blog do Noblat

Deu no Diário de S. Paulo
Eleição em SP tem cheiro de 2 turno

Análise dos números da pesquisa Ipespe/DIÁRIO indica que a eleição para governador pode caminhar para não ser resolvida em 3 de outubro

A 13 dias da eleição, os números das pesquisas eleitorais apontam que, neste momento, um segundo turno é muito provável no Estado. Isso está indicado solidamente pela pequena diferença entre o total da intenção de voto no candidato Geraldo Alckmin e a soma de todos os outros.

As equipes de campanha dos dois lados discutem a possibilidade, do lado petista, para animar a turma; do lado tucano, para não deixar que uma boa votação no primeiro turno vire frustração por não resultar em vitória imediata.

Segundo a pesquisa Ipespe/DIÁRIO, a intenção de voto em Alckmin é sete pontos percentuais maior do que a soma de seus adversários. Considerando a margem de erro de 3,2% para cima ou para baixo, Alckmin pode ter 42,8% ou 49,2%; os adversários somados podem ter 35,8% a 42,2% dos votos.

No pior cenário para o candidato do PSDB, a diferença poderia ser de menos de um ponto percentual; no melhor cenário, ele estaria eleito no primeiro turno com uma diferença de 13,4%.

Para uma eleição ser vencida em primeiro turno, é necessário que os votos em um candidato superem todos os votos efetivamente dados para os adversários. Votos brancos e nulos são desconsiderados da conta de “votos válidos”.

A diferença de 7 pontos é bem mais insegura para o candidato tucano do que poderia parecer: ela é muito próxima de um contingente de votos que analistas acham que quase certamente Mercadante irá ganhar. A perspectiva histórica indica que o candidato do PT ainda deverá crescer até o nível das votações tradicionais de seu partido em São Paulo.

O PT tem tido sempre votações em torno de 30% dos votos no Estado. Oito anos atrás, José Genoíno teve 32%; quatro anos depois, Mercadante teve 31,7% quando vivia um inferno político ao ver seu principal assessor de campanha flagrado ao montar o escândalo dos aloprados. Não é improvável que ele repita aquela votação em um ano em que nem os adversários exploraram sua proximidade com o episódio.

Se Mercadante superar 32%, considerando as condições atuais, a eleição provavelmente terá o tal segundo turno.

domingo, 19 de setembro de 2010

CGU corrige Folha de São Paulo no caso Erenice Guerra

por mulheres de fibra

Publicado sábado, 18 de setembro, 2010, no Painel do Leitor da Folha de S.Paulo:

"UnB

A afirmação feita no subtítulo da reportegem "Auditoria liga irmão de Erenice a desvios" (Eleições 2010, 15/09), sobre a audiência da CGU na UnB, indicando que nosso relatório "afirma que José Euricélio é responsável por R$ 5.8 milhões em contratos fantasmas" NÃO É CORRETA. O que está no relatório, em grande parte corretamente refletido no corpo da reportagem, é a informação de que, na folha de pagamentos feita pela editora da UnB, cuja soma alcança R$ 5.8 milhões constam cerca de R$ 134 mil destinados a José Euricélio. Além disso, em outro trecho, está registrado que ele era um dos reponsáveis pelos pagamentos juntamente com outras pessoas "Alexandre Lima, diretor excecutivo da editora, Elenilde Duarte, Sílvio Quezado de Magalhães e Norberto Abril".
A qualificação exata dos montantes e seus reponsáveis depende, evidentemente, de procedimentos posteriores, a cargo da UnB, a quem cabe a instauração das tomadas de contas especiais.
Pedro Formigli - assessor de imprensa da CGU (Brasília, DF)"

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

E por falar em Zé Dirceu

Do Blog do Noblat

Compromisso histórico com a democracia

Por José Dirceu

A despeito dos que querem me rebaixar —usando inclusive o horário eleitoral, que é um espaço de apresentação de propostas para melhorar o país—, minha história política está diretamente associada à liberdade. Só quem sofreu as chagas da Ditadura Militar neste país sabe, na pele, o que é ser defensor da democracia. E não existe democracia sem garantia ao direito à expressão e ao livre exercício da atividade jornalística.


Ensina a boa doutrina jurídica que não há direito absoluto, ou seja, o limite à aplicação de um direito é estabelecido por outro direito. Nesse sentido, não se pode dizer que o direito de ir e vir está acima do direito à propriedade, e assim por diante. É preciso confrontar os direitos no caso concreto, para se definir qual prevalecerá. Trata-se de uma atividade típica e exclusiva ao Judiciário.

Aliás, esse confronto é que diferencia uma democracia de um regime totalitário, absolutista, imperial. Ao contrário do que muitos pensam, tal condicionamento é sinal de solidez e avanço democrático. Em certa medida, equivale dizer que todo direito embute responsabilidades. Essa compreensão não é somente minha, está expressa na nossa Constituição, que, não à toa, é tida como uma das mais democráticas e avançadas do mundo.

Com base nesse preceito constitucional é que precisamos refletir sobre o papel e comportamento da grande imprensa no Brasil de hoje. A prática que tem prevalecido é a de acusar e formar culpas antes sequer da abertura de um processo judicial. A estratégia é cristalizar na sociedade opiniões para pressionar a Justiça.

Mas a conquista do respeito ao rito jurídico não é mera formalidade, é imprescindível ao pleno funcionamento da democracia. É tão valiosa quanto a liberdade de expressão. Da mesma forma, configura-se fundamental respeitar o direito de imagem e o direito de resposta de qualquer cidadão. Caso contrário, estaremos jogando no lixo um dos pilares de nossa democracia, comprometendo todo o regime.

Ocorre que a grande imprensa nacional, imbuída do claro propósito de defender determinados interesses e a pretexto de sua inquebrantável liberdade de expressão, tem usurpado com frequência o direito de cidadãos de se defender. É preciso que a própria mídia suspenda tais práticas e reflita sobre as responsabilidades e papéis que tem a cumprir perante a sociedade. O irretocável direito de informar não pressupõe manipulações.

Infelizmente, o comportamento da grande imprensa nas atuais eleições tem caminhado no sentido oposto. Claramente, escolheu-se um dos candidatos e passou-se a contaminar o noticiário com vistas a atender os interesses eleitorais dele. O que a grande imprensa não percebeu é que o preço dessa adesão “contaminada” é o sacrifício de sua própria credibilidade e do bom jornalismo: a abstenção de juízo de valor, a pluralidade ideológica, a isonomia de espaço para acusadores e acusados e a defesa do direito à imagem e à honra.

Liberdade de expressão plena e verdadeira prescinde da existência de mão dupla no relacionamento entre imprensa e sociedade, não tentativas de manipular as opiniões. É isso, e apenas isso, que o monopólio da comunicação tem buscado defender, colocando a mídia acima dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Exageros como a proposição de que caminhamos para o totalitarismo no Brasil só acentuam esse processo de perda da credibilidade. E, convenhamos, não condizem com a realidade. Resta à grande imprensa retomar os princípios democráticos em sua cobertura.

Como sempre, reafirmo minha defesa desses valores com responsabilidade, pois abalos a quaisquer —repito, quaisquer!— direitos constitucionais só interessam aos quem não têm compromisso histórico com a democracia.

Os jornalistas tucanos, por Marcos Coimbra

Da Carta Capital
por Marcos Coimbra


Quando, no futuro, for escrita a crônica das eleições de 2010, procurando entender o desfecho que hoje parece mais provável, um capítulo terá de ser dedicado ao papel que nelas tiveram os jornalistas tucanos.

Foram muitas as causas que concorreram para provocar o resultado destas eleições. Algumas são internas aos partidos oposicionistas, suas lideranças, seu estilo de fazer política. É bem possível que se saíssem melhor se tivessem se renovado, mudado de comportamento. Se tivessem permitido que novos quadros assumissem o lugar dos antigos.

Por motivos difíceis de entender, as oposições aceitaram que sua velha elite determinasse o caminho que seguiriam na sucessão de Lula. Ao fazê-lo, concordaram em continuar com a cara que tinham em 2002, mostrando-se ao País como algo que permanecera no mesmo lugar, enquanto tudo mudara. A sociedade era outra, a economia tinha ficado diferente, o mundo estava modificado. Lula e o PT haviam se transformado. Só o que se mantinha intocada era a oposição brasileira: as mesmas pessoas, o mesmo discurso, o mesmo ar perplexo de quem não entende por que não está no poder.

Em nenhum momento isso ficou tão claro quanto na opção de conceder a José Serra uma espécie de direito natural à candidatura presidencial (e todo o tempo do mundo para que confirmasse se a desejava). Depois, para que resolvesse quando começaria a fazer campanha. Não se discutiu o que era melhor para os partidos, seus militantes, as pessoas que concordam com eles na sociedade. Deram-lhe um cheque em branco e deixaram a decisão em suas mãos, tornando-a uma questão de foro íntimo: ser ou não ser (candidato)?

Mas, por mais que as oposições tivessem sido capazes de se renovar, por mais que houvessem conseguido se libertar de lideranças ultrapassadas, a principal causa do resultado que devemos ter é externa. Seu adversário se mostrou tão superior que lhes deu um passeio.

Olhando-a da perspectiva de hoje, a habilidade de Lula na montagem do quadro eleitoral de 2010 só pode ser admirada. Fez tudo certo de seu lado e conseguiu antecipar com competência o que seus oponentes fariam. Ele se parece com um personagem de histórias infantis: construiu uma armadilha e conduziu os ingênuos carneirinhos (que continuavam a se achar muito espertos) a cair nela.

Se tivesse feito, nos últimos anos, um governo apenas sofrível, sua destreza já seria suficiente para colocá-lo em vantagem. Com o respaldo de um governo quase unanimemente aprovado, com indicadores de performance muito superiores aos de seus antecessores, a chance de que fizesse sua sucessora sempre foi altíssima, ainda que as oposições viessem com o que tinham de melhor.

Entre os erros que elas cometeram e os acertos de Lula, muito se explica do que vamos ter em 3 de outubro. Mas há uma parte da explicação que merece destaque: o quanto os jornalistas tucanos contribuíram para que isso ocorresse.

Foram eles que mais estimularam a noção de que Serra era o verdadeiro nome das oposições para disputar com Dilma Rousseff. Não apenas os jornalistas profissionais, mas também os intelectuais que os jornais recrutam para dar mais “amplitude” às suas análises e cobertura.

Não há ninguém tão dependente da opinião do jornalista tucano quanto o político tucano. Parece que acorda de manhã ansioso para saber o que colunistas e comentaristas tucanos (ou que, simplesmente, não gostam de Lula e do governo) escreveram. Sabe-se lá o motivo, os tucanos da política acham que os tucanos da imprensa são ótimos analistas. São, provavelmente, os únicos que acham isso.

Enquanto os bons políticos tucanos (especialmente os mais jovens) viam com clareza o abismo se abrir à sua frente, essa turma empurrava as oposições ladeira abaixo. Do alto de sua incapacidade de entender o eleitor, ela supunha que Serra estava fadado à vitória.

Quem acompanhou a cobertura que a “grande imprensa” fez destas eleições viu, do fim de 2009 até agora, uma sucessão de análises erradas, hipóteses furadas, teses sem pé nem cabeça. Todas inventadas para justificar o “favoritismo” de Serra, que só existia no desejo de quem as elaborava.

Se não fossem tão ineptas, essas pessoas poderiam, talvez, ter impulsionado as oposições na direção de projetos menos equivocados. Se não fossem tão arrogantes, teriam, quem sabe, poupado seus amigos políticos do fracasso quase inevitável que os espera.