Por Daniela
A campanha tucana perdeu o rumo de vez!
Para minha surpresa, está sendo mais fácil do que eu imaginava desmontar o discurso da oposição. O curioso é que isso se deu mais por incompetência das cabeças da campanha tucana do que por um esforço da candidatura de Dilma e de sua militância. Pelo menos na blogosfera, estão todos perplexos com a seqüência de trapalhadas no dia-a-dia dos comitês tucanos e da grande imprensa. Sem direção definida, o discurso demo-tucano esvaziou-se e a campanha perdeu o rumo de vez. Daí a imprensa quer ajudar e fica pior a emenda que o soneto – vocês viram que a folha disse não saber quem era o “internauta” que fez a pergunta ao Serra no debate do Uol online? Veja a desculpa da Folha aqui. Poxa, gente, o cara trabalha como assessor do PSDB no Senado só há 9 anos, como a Folha ia saber disso?
Todos os comentaristas políticos consultados pela velha mídia estão repetindo que a campanha do ex-governador de São Paulo não está surtindo efeito. Levantam vários fatores. O mais espantoso – como aconteceu no Globo News Painel no último domingo e numa das edições do Jornal das Dez nessa semana – é que os jornalistas prensam os convidados na parede querendo saber “como o Serra pode fazer para reverter a situação?”. E é tão visível a sua preocupação que fica até engraçado, mesmo os entrevistados dão aquela risadinha de canto percebendo a segunda intenção dos entrevistadores.
Em primeiro lugar, claro, é evidente que fica difícil fazer oposição a um governo e um presidente que são os mais bem avaliados da história do país. Segundo, fica difícil atacar os limites e as falhas do governo Lula sem se identificar com o governo FHC. O perigo aí é ganhar de brinde o alto índice de rejeição desse governo. E parece que ele não vai conseguir dispensar esse brinde.
A tarefa, que já não era fácil, começou a parecer cada vez mais difícil depois que Dilma entrou em cena segura de si, bonita, simpática e, de longe, a que se mostra mais preparada para a função de presidente.
Como se não bastasse, a campanha política do PSDB entra no ar e coloca uma favela cenográfica na propaganda eleitoral, bem estereotipada, ao som de samba (de breque?) dizendo que o candidato subiu o morro sem gravata. Será mesmo que o jingle se referia ao Serra? Em que favela ele subiu sem gravata? Na cenográfica? E pode? E alguém achava que isso ia dar certo?
Enquanto isso a Dilma visitava Heliópolis. Quase fiquei com pena do Serra. Aí veio a raiva de novo quando veicula um jingle falando sobre a Dilma: “Ninguém sabe de onde veio, ninguém sabe o que ela fez/ mas diz que é dona de tudo, o Brasil inteirinho foi ela que fez/ Dona Dilma pega leve, porque o povo está reparando/ Tira a mão do trabalho do Lula, tá pegando mal que o Brasil tá olhando/ Tudo o que o Lula criou, ela diz: fui eu, fui eu/ Aquilo que é coisa do Lula a Dilma diz é meu, é meu”.
Ele está falando mesmo com a Dilma ou está repetindo tudo isso para si mesmo? Você sabe, caro leitor, querida leitora, coincidências não existem.
Depois dessas e muitas outras patacoadas, veio ontem o cúmulo do delírio: estelionato eleitoral (veja a denúncia no Tijolaço.
Serra fez o desplante de exibir o Lula em seu programa como se estivesse sendo apoiado pelo Presidente. Seria engraçado se não fosse um crime eleitoral. Cito as palavras de Brizola Neto:
“Ora, Serra, tome vergonha. Não use a imagem de Lula como se fosse um aliado dele. Assuma que é um adversário e oposicionista. Fica feio. Embora o povo brasileiro já o esteja vendo como um mentiroso, que inventa e falsifica tudo, é desonesto tentar enganar os mais ingênuos com uma suposta proximidade a Lula.
Lula é Dilma e Dilma é Lula. O campo de Serra é outro. Tentar ludibriar as pessoas se apresentando como o que não é numa hora tão importante para o país como a de uma eleição presidencial é de um mau caratismo sem par. Serra não merece governar nem a farmácia da esquina.”
E saiu na Globo online que a nova estratégia do Serra no Rádio seria “subir o tom”.
Dessa campanha esquizofrênica em que ele não sabe mais se é candidato de esquerda ou de direita, e em que ora ele bate no Lula ora ele quer se chegar a ele, não resta dúvida, só a certeza da perda de mais eleitores. E podem registrar: quanto mais ele “elevar o tom”, mais ele vai cair.
O que o Serra pode fazer para “recuperar pontos”? É a pergunta que ecoa... Ele pode fazer algo muito simples, mas também acho que não dará mais tempo: apresentar um programa de governo que seja, pelo menos, do mesmo nível daquele apresentado pelo PT. Aí sim a gente veria um debate interessante. Enquanto isso não acontecer ele vai perecer com os seus "mutirões da saúde".
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010
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