quarta-feira, 18 de maio de 2011

Réquiem para os caça-Haddad

Por Rildo Ferreira dos Santos


Diálogo 1


Duas amigas* trabalham no Conversa Afiada, um dos mais importantes blogues políticos de conteúdo democrático da blogosfera, ao fim do expediente se preparam para deixar o trabalho:

Zabete - Isa, vamo passar lá no sujinho pra tomar uma gelada?

Isa - Dá não amiga. Tô dura! Durinha da silva.

Zabete - 'Xa comigo. Hoje eu pago a sua.

Isa - Já é!


Diálogo 2

Dois importantes jornalistas** de uma das mais importantes rede de televisão do país estão prestes a deixar o trabalho depois de uma intensa atividade sob um calor de 39ºC. Um editor, outro renomado âncora:

Editor Ali-ba-bá - Nobre colega, o senhor me acompanharia ao sofisticado Le bundô para degustarmos uma gelada cerveja?

Âncora Will Simpson - Lamento meu nobre amigo. Neste momento estou sem recursos. Deixemos para um outro dia.

Editor Ali-ba-bá - Qual nada! Hoje as despesas serão por minha conta. Vamos?

Âncora Will Simpson - Neste caso aceito. Obrigado por me convidar.

Exercícios de interpretação do texto

Questão 1

Releia os diálogos e assinale a resposta coerente com as seguintes situações:

( ) no diálogo 1 os personagens se mostram indiferentes sem nenhuma relação de amizade e, por isso, usam uma linguagem sem respeito aos padrões da norma culta.

( ) no diálogo 2 os personagens são amissíssimos. O uso da norma culta se faz obrigatório neste caso.

( ) no diálogo 1 os personagens usam uma linguagem corriqueira, entre amigos que compartilham angústias, perspectivas, prazer, mas que se entendem perfeitamente.

( ) no diálogo 2 os personagens usam a mesma linguagem, tanto para as questões corriqueiras do dia-a-dia quanto para as questões formais. A relação de amizade entre eles não influencia no modo de falar.

Questão 2

Considerando a norma culta do Português do Brasil assinale a resposta correta.

( ) No diálogo 1 a conversação não é correta porque não respeita a norma culta.

( ) No diálogo 2 a conversação é correta e a escola deveria exigir que as pessoas falassem assim em qualquer situação.

( ) No diálogo 1 a conversação está para os dias atuais e o diálogo 2, embora correto, não é usado nas relações informais.

Questão 3

Assinale a resposta de acordo com a percepção real do cotidiano.

( ) No diálogo 1 os personagens usam uma linguagem informal, corriqueira, sem obediência à norma culta, e perfeitamente APROPRIADA para a ocasião. Já no diálogo 2 os personagens usam uma linguagem formal, arcaíca, obediente à norma culta, mas INAPROPRIADA para a ocasião.

( ) No diálogo 1 os personagens falam ERRADO, sem obediência à norma culta, já no diálogo 2 os personagens falam CORRETAMENTE e em obediência à norma culta. Portanto, a velha mídia tá certa fazer o papel de caça-Haddad e a autora do livro que ensina a falar errado deve ser julgada segundo a santa inquisição.

* Os personagens dessa novela é criação do autor desse texto. Qualquer semelhança com pessoas reais terá sido uma intencional coincidência.

** Os personagens dessa novela é criação do autor desse texto. Qualquer semelhança com pessoas reais terá sido mera coincidência.

Quem tem medo dos erros de português?

Por Daniela

Para quem estiver interessado na polêmica acerca da coleção "Viver, Aprender", recomendo as seguintes leituras:

Nota da Ação Educativa com esclarecimentos sobre a publicação "Por uma vida melhor", com pdf. do capítulo no final.

http://www.acaoeducativa.org.br/downloads/ESCLARECIMENTOS_AE.pdf


Dois artigos precisos de Daniel Dantas, blogueiro de RN, bem mais enxutos que o meu abaixo (hehehe):

Língua e senso comum
http://deolhonodiscurso.wordpress.com/2011/05/17/senso-comum/

Falam do português, mas não sabem ler
http://deolhonodiscurso.wordpress.com/2011/05/17/falam-do-portugues-mas-nao-sabem-ler/

O caso Pallocci

Por Dalva Teodorescu

Segundo o Procurador Geral Roberto Gurgel, por enquanto não há elementos suficientes para abrir investigação contra Palloci, acusado de enriquecimento em 4 anos.

Também tucanos notórios como José Serra e Aécio Neves saíram em defesa do ministro da Casa Civil.

Na verdade as acusações são ventos. Não tem o que investigar. Os rendimentos de Palocci são compatíveis com seus ganhos e foram declarados na receita federal. Está em regra com a lei.

Palocci prestava consultoria através de sua empresa durante mandato de deputado federal. Quando assumiu a Casa Civil a empresa deixou de prestar assessoria e passou a se ocupar unicamente da administração de seus bens imobiliários.

Parte da oposição, os que não têm nada a perder e precisam de holofotes, atacam a moralidade do enriquecimento. Puro cinismo, como afirmou a senadora Marta Suplicy.

Dados levantados pelo chefe da Casa Civil mostram que 273 deputados federais e senadores exercem atividades empresariais de consultorias.

E Palocci fez bem em lembrar nomes de tucanos, ex-ministros e ex-presidentes do Banco Central, que enriqueceram após deixar o cargo.

É louvável que a imprensa se preocupe com o enriquecimento de homens públicos, o que é insuportável é que o faça de maneira seletiva.

Melhor seria denunciar a hipocrisia que reina sobre o assunto no Congresso e cobrar a abertura de um debate sobre a regularização de assessorias e, principalmente, da prática fortíssima do lobby que sem regularização pode facilmente se transformar em tráfico de influência.

Para 57% dos franceses o diretor do FMI foi vítima de complô

Por Dalva Teodorescu

Pesquisa junto á população francesa mostra que 57% dos franceses acreditam na tese do complô contra o presidente do FMI Dominique Strauss Khan.

Essa reação dos franceses se explica porque na França a presunção de inocência é coisa muito séria.

Até esse momento ninguém ouviu a versão de DSK. Nem seus ilustríssimos advogados tiveram acesso às peças de acusação.

Sexta Feira próxima DSK será julgado por um júri popular e será sem dúvida condenado porque em geral esse júri segue o aviso da acusação.

Somente depois disso os advogados de DSK terão acesso às peças de acusação e poderão traçar uma estratégia de defesa.

Diante disso, das imagens espetaculares de DSK, coisa inadmissível na França, e do fato que os EUA não estavam contentes com a gestão de DSK no FMI, por julgarem que ele beneficiava países da Europa, como Portugal e Grécia, na crise financeira, é que os franceses acusam o que consideram uma linchagem midiática dos EUA.

Além disso, todos têm na memória o vestido de Monica Lewinski, guardado preciosamente porque estava manchado de esperma do Bill Clinton e do garoto acusado de ter sido abusado sexualmente por Michael Jackson pedindo desculpas ao cantor por uma armação de sua mãe para ganhar dinheiro.

Junte a isso a política interna da França. Com certeza o socialista seria o próximo presidente da França. Um site próximo do partido de Sarkozy foi o primeiro a noticiar a prisão do chefe do FMI, apenas uma hora após o ocorrido. Depois disso o anúncio da gravidez de Carla Bruni.

São esses dados mais as imagens abusivas de DSK que provocam a reação dos Franceses.

O francês é um povo crítico e bem informado. Ele sabe que DSK tem fama de sedutor, mas exige provas antes de condená-lo.

A mesma pesquisa mostra que 54% dos franceses acreditam que os socialistas ganharão as eleições de 2012.

Nesse momento o que realmente interessa é a verdade dos fatos se DSK é culpado ele deve pagar pelos que fez, mas antes é preciso ouvir sua versão.

terça-feira, 17 de maio de 2011

"Por uma vida melhor": por que abolir os conceitos de “certo” e “errado” ?

Por Daniela Jakubaszko*


A polêmica que se criou em torno do livro Por uma vida melhor, da coleção Viver, aprender, adotado pelo MEC, é inútil e representa um retrocesso para a Educação.

Como lingüista e professora de português defendo ardorosamente a utilização do livro. Vou explicar, mas antes faço alguns esclarecimentos:

1. A escola é o lugar por excelência da norma culta, é lá que devemos aprender a utilizá-la, isso ninguém discute, é fato.

2. O livro NÃO está propondo que o aluno escreva “nós pega” – como estão divulgando por aí - ele está apenas constatando a existência da expressão no registro “popular”. Do ponto de vista cotidiano, a expressão é válida porque dá conta de comunicar o que se propõe. E ela é mais que comum e, sejamos sinceros, é a linguagem que o leitor dessa obra usa e entende. Será que é intenção da escola se comunicar com ele de verdade? Se for, ela tem que usar um livro que consiga fazer isso. Uma gramática cheia de exemplos eruditos e termos que o aluno não consegue nem memorizar, com certeza, não vai conseguir.

3. O que o livro está propondo é trocar as noções de “certo” e “errado” por “adequado” e “inadequado”. E isso é mais que certo. Vou explicar a seguir.

4. A questão é: como ensinar a norma culta num país de tradição oral, e no qual existe um abismo entre a língua oral e a língua escrita? Como fazer isso com jovens adultos – que já apresentam um histórico de “fracasso” em seu processo formal de educação e, muito provavelmente, na aquisição dos termos da gramática e seus significados. Se esse jovem não assimilou até o momento em que procurou o EJA (Educação de Jovens e Adultos) a “concordância de número”, como o professor vai fazê-lo usar a crase? Isso para mencionar apenas um dos tópicos mais fáceis da gramática e que a maioria das pessoas, inclusive as “mais cultas e graduadas”, algumas até mesmo com doutorado, ainda não sabem explicar quando ela é necessária.

Por que abolir os conceitos de “certo” e “errado”?


Vou mencionar apenas 3 razões, para não cansar demais o leitor, mas existem muitas outras, quem se interessar pode perguntar que eu passo a bibliografia.

1. Primeiro, por uma questão de honestidade com o aluno. A língua é viva, assim como a cultura, e não pode ser dirigida, por mais que tentem. Por isso, não existe nem “certo” nem “errado”: as regras são convenções e são alteradas de tempos em tempos por um acordo entre países falantes de uma mesma língua. O que era “errado” há alguns anos, hoje pode ser “certo”. Agora é correto escrever lingüística sem trema - o que discordo - e ideia sem acento. Assim, o que existe é o “adequado à norma culta” e o “inadequado à norma culta”. E essa norma é uma convenção, não uma lei natural e imutável. Além disso, por mais que a escola seja representante da norma culta, isto não significa que ela deva ficar “surda” diante dos demais níveis de fala. A língua portuguesa – ou qualquer língua – não pode ser reduzida à sua variante padrão. Tão pouco as aulas de português devem ficar. Afinal, se numa narrativa aparece um personagem, por exemplo, pescador e analfabeto, como o aluno deverá escrever uma fala (verossímil) para ele? Escrever de forma inverossímil é certo? Aliás, o que seria dos poetas e escritores se não fosse o registro popular da língua? Acho que Guimarães Rosa nem existiria.

Com certeza a crítica ao livro parte de setores conservadores e normativos. Eu, como lingüista e professora, não apoio a retirada dos livros porque não acho justo falar para o aluno que o jeito que ele fala é errado, até porque não é, só não está de acordo com a norma culta, o que é muito diferente. Depois que você explica isso para o aluno é que ele entende o que está fazendo naquela aula. Essa troca faz toda a diferença.

2. Segundo, porque quando você diz para um aluno sucessivas vezes que o que ele fez está “errado” você passa por cima da subjetividade dele e acaba com toda a naturalidade dessa pessoa. Daí, ela não fala “certo” e também não sabe quando fala “errado”. Assim, quando na presença de pessoas que ela julga mais letradas que ela própria, não tenha dúvida, vai ficar muda. A formação da identidade do sujeito passa obrigatoriamente pela aquisição da linguagem, viver apontando os erros é desconsiderar a experiência de vida daquela pessoa, é diminuí-la porque ela não teve estudo. E não se engane: ela pode se tornar até uma profissional mais desejada pelo mercado por usar melhor a norma culta, mas não necessariamente vai se tornar uma pessoa melhor.

3. Em terceiro, porque é urgente trocar o ponto de vista normativo pelo científico. A lingüística reconhece que a língua tem seu curso e muda conforme o uso e a cultura: já foi muito errado falar (e escrever) "você", por exemplo. A lingüística também reconhece que a língua é instrumento de poder, por isso, nada mais importante do que desmistificar a gramática normativa. Isto não significa deixá-la de lado, mas precisamos exercitar uma visão mais crítica. Esse aluno sente na pele a discriminação social devido ao seu nível de fala, nada mais natural que ele rejeite a norma culta e considere pedante a pessoa que fala segundo a norma padrão. É compreensível, ainda, que ele não entenda grande parte do que se diz em sala de aula. O que não é compreensível é o professor, ou melhor, “a Escola”, não entender a razão de isso acontecer.

Em nenhum momento foi dito que a professora e autora do livro em questão não iria corrigir ou ensinar a norma culta aos alunos, só ficou validado o registro oral. Os alunos precisam entrar em contato com o distanciamento científico. E os lingüistas não saem por aí corrigindo ninguém, eles observam, e você, leitor, bem sabe como funciona a ciência - e um aluno de pelo menos 15 anos já precisa começar a ouvir falar do pensamento científico. Além disso, é muito bom que eles percebam se o nível de fala que usam tem prestígio ou não, e o porquê.

Por que ignorar o estudo da língua oral em sala de aula? Eu fazia um trabalho nesse sentido com os meus alunos e só depois de transcrever entrevistas orais eles conseguiam ouvir a si mesmos e tomar consciência de seu registro lingüístico: “nossa como eu falo gíria! Eu nem percebia!”. Aí sim eles entendem que, com o amigo, com os pais, eles podem dizer "os peixe", mas que na prova é preciso escrever "os peixes", no seminário é preciso dizer “os peixes”, mas ele precisa estar à vontade para fazer isso. A realidade em sala de aula é que os alunos não entendem onde estão errando. Quando você explica o conceito de norma culta eles entendem. Cria-se um parâmetro e não uma tábua de salvação inatingível. É aceitando o registro desse interlocutor e apresentando mais uma possibilidade de uso da língua para ele que vai surgir o esforço para aprender. Se você insistir no “certo” e no “errado” ele vai ficar com raiva e rejeitar o novo. Quer apostar?

Ter uma boa comunicação não é sinônimo de usar bem as regras da gramática. Para ensinar os conceitos de "gramática natural" e "gramática normativa" temos de dar esses exemplos. Os conservadores se arrepiam porque eles partem do princípio que você nunca pode escrever ou falar nada errado na frente do aluno. Para mim isso é hipocrisia: o aluno tem direito de saber que o registro que ele usa em casa é diferente daquele que ele usa na rua, no estádio de futebol, na escola, no trabalho, em frente ao juiz. E tem o direito de saber que o “correto” se define por aquele que tem mais prestígio social. Essas são só as primeiras noções de sociolingüística, para quem quiser abrir a cabeça e saber. Ou será que a língua portuguesa se aprende descolada da realidade? É isso que se está tentando mudar. É tão difícil assim perceber isso?

Quando me perguntam qual é a função do professor de português na escola, eu respondo: oferecer ao aluno um grau cada vez mais elevado de consciência lingüística; oferecer instrumentos para que ele possa transitar conscientemente entre os diversos níveis de linguagem. Só depois de realizada essa operação o aluno vai conseguir escrever conforme as regras da norma culta. E falar a norma padrão com naturalidade. Ou, ainda, escolher falar conforme o ambiente em que cresceu e formou a sua subjetividade (Lula que o diga, comunica-se muito bem, sem camuflar as suas origens). É bom ficar claro que a função do professor não se reduz a "corrigir" o aluno. Isso, o google, até o word, pode fazer. Ajudar o aluno a ter consciência de seu nível de fala é outra história...

O problema não é uma pessoa dizer “nós pega”, o problema é ela não entender que esse uso não é adequado em determinados contextos, o problema é não saber dizer “nós pegamos”. Ou sequer compreender porque não pode falar “nós pega”... É, leitor, tem muito aluno que não entende porque precisa aprender uma lista de nomes difíceis que nada significam para ele e que ele não enxerga a relação direta entre uso da norma culta e como esta vai ajudá-lo a melhorar de vida.

Conheço quilos, ou toneladas, de gente formada, pós-graduada, que fala “seje” e não tem consciência de que está falando assim, e ainda critica quem fala “menas”. Ouvir a si mesmo é uma das coisas mais difíceis de fazer. E como ajudar o aluno a fazer isso?

O primeiro passo é, sem dúvida, abolir o “certo” e o “errado”. Enquanto o professor for detentor da caneta vermelha, o aluno vai tremer diante dele e nada do que ele disser vai entrar na cabeça dessa pessoa preocupada em acertar uma coisa que não entende, tem vergonha de dizer que não entende, então não pergunta, faz que entendeu, erra na prova e o resultado é ela se achar cada vez mais burra e desistir de estudar. Ufa... Puxa, ninguém estuda mais psicologia da educação? Isso é básico!

E então, leitor, o que é mais honesto com esse aluno que chega no EJA com a autoestima lá em baixo? Começar falando a língua dele e depois trazê-lo para a norma padrão ou começar de cara a humilhá-lo com uma língua que ele não entende?

É muito sério quando pessoas leigas começam a emitir, levianamente, juízos de valor sobre assuntos que não dominam. Alguns jornalistas, blogueiros e “opineiros” de plantão, por exemplo, sem conhecimento dos conceitos e técnicas de ensino em lingüística, sem a menor noção do que está acontecendo nas salas de aula desse país, começam a querer dizer para os professores o que eles têm de fazer, como eles têm de ensinar! Isto sim, é nivelar por baixo! É detonar, mais ainda, a autoridade do professor, já tão desprezada no país. Ah, e ainda fazem isso sem perceber que freqüentemente cometem erros crassos; eu estou cansada de lê-los em blogs, jornais e revistas, e ouvi-los na televisão. Não que precisem, ou usamos com eles os mesmos critérios que defendem?

E então, qual é mesmo o tipo de educação que o Brasil precisa?


* Daniela Jakubaszko é bacharel em lingüística e português pela FFLCH-USP, mestre e doutora pela ECA-USP. Desistiu de ser professora depois de dar aula por 15 anos e virou redatora porque não agüentava mais ouvir: "você trabalha além de dar aulas?"


** Ah, eu tenho uma dúvida: até quando eu posso usar o trema? Até 2012?

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O MEC, os Linguistas e a Língua Portuguesa.

Por Dalva Teodorescu

Causa espanto a informação que o MEC teria adotado, comprado e distribuído, o livro “Uma Vida Melhor” da coleção Aprender da editora Globo.

O livro defende que a língua portuguesa seja falada com graves erros gramaticais, sobretudo de acordos.

Segundo a autora Heloisa Ramos "o importante é chamar a atenção para o fato de que a ideia de correto e incorreto no uso da língua deve ser substituída pela ideia de uso da língua adequado e inadequado, dependendo da situação comunicativa".

Não bastasse o absurdo da proposta, o livro alerta que quem a empregar pode ser vítima de preconceito linguístico.

Sim, fica claro que é uma posição linguística. Difícil é aceitá-la. A Língua é também uma forma de organizar (de classificar) o pensamento. Fundamental para o posicionamento do sujeito no mundo.

Se o livro propõe que é certo falar errado está se lixando para a forma como a pessoa vai escrever ou se vai um dia escrever.

E esta história de norma culta quando se trata de linguagem escrita ou falada parece coisa de anarquismo, num país que precisa drasticamente melhorar a qualidade da formação de seus cidadãos.

É terrível escutar alguém falar "Nois vai". O brasileiro não merece. As crianças brasileiras não merecem. Falar corretamente é se instrumentalizar e se qualificar para enfrentar o mundo.

Tivemos evolução linguística no uso de pronomes, como você. Mas não tenho conhecimento de corruptelas nos acordos que se originam nas declinações do latim.

No momento que se reedita Lima Barreto e Machado de Assis, está na hora do Brasil dispor de normas que restrinja o massacre da língua por personagens de novelas, comentadores de futebol e outras categorias que cometem graves erros de concordância gramatical na televisão e no rádio.

Ao invés disso, o Ministério de Educação e Cultura decide distribuir o livro no Programa Nacional do Livro Didático para a Educação de Jovens e Adultos a 484.195 alunos de 4.236 escolas.

Do que se ouve, o MEC não vai retirar o polêmico livro. Nesse governo virou moda que a presidenta Dilma tenha que intervir toda vez que surge um escândalo.
Seria bom que o Ministro evitasse mais um escândalo e retirasse o livro de circulação.